Estarei fazendo uma longa viagem e não poderei responder os comentários postados.
Só responderei quando do meu retorno.
Obrigado
Roberto Akira
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Roberto Akira
Quando se quer calcular a quantidade de álcali (soda ou potassa) necessária para saponificar uma determinada quantidade de óleo ou mistura de óleos, o cálculo é objetivo e direto. É um cálculo fundamentado na relação estequiométrica da reação de saponificação, uma reação química. Pode ser feito manualmente, necessitando conhecer o índice de saponificação (IS) de cada óleo ou com o uso das várias calculadoras que existem on-line.
Tendo a quantidade de álcali – vou me referir à soda para facilitar, surge a pergunta: quanto de água devo utilizar para fazer a solução para diluir a soda?
Muitas pessoas nem fazem esta pergunta porque utilizam as calculadoras e as duas principais, já fornecem um valor default.
No Soapcalc é 38% de água como percentagem dos óleos e o da Mendrulandia fornece 28% de concentração de soda.
As pessoas pegam esses valores e saem a fazer o sabão. Acontece que na maioria das vezes estes valores não são os ideais para fazer o sabão. O Soapcalc ainda faz uma ressalva que o seu valor padrão é para quem está iniciando e depois, adquirindo experiência, muda para outros patamares de maior concentração de soda. O da Mendrulandia faz um explicação envolvendo os tipos de óleos e a concentração a usar. O que é ruim é que em ambas as calculadoras estas explicações ficam perdidas no meio das instruções que a maioria não lêem.
O fato é que a quantidade de água é muito importante para a performance do sabão nas propriedades de dureza inicial e tempo de secagem inicial. Inicial porque curva de dureza e secagem ao longo do tempo, ao final se aproximam de um ponto em comum. Se deixarmos um sabão comum por, digamos, 6 semanas, independentemente da quantidade de água que foi usada para diluir a soda, todos terão uma dureza similar e estarão secos igualmente. Agora, se tomarmos a dureza e a quantidade de água presente no sabão na primeira semana, se notará uma diferença grande, significativa. E aqui é muito importante a concentração da solução de soda.
Existem três modos de se expressar a quantidade de soda e água quando se vai fazer um sabão artesanal:
1 – Água como percentagem dos óleos
2 – Razão água : soda
3 – Concentração percentual de soda
As duas primeiras na verdade são modos não científicos de se expressar a concentração de uma solução soluto/solvente. É como expressar medidas de massa/volume como colher de sopa, colher de chá, copos, que tem razões históricas por trás, quando os recursos hoje disponíveis eram raros e caros. Há 20 anos atrás, quem poderia comprar uma balança digital?
O mais correto é expressar como concentração percentual de soda. Explicita a quantidade de soda e água presente em 100g de solução.
Fiz uma tabela para mostrar que a concentração de soda pode ser otimizada de acordo com algumas característica do sabão que se quer fazer, sua composição de óleos, o conhecimento de quem vai fazer, do modo que se quer fazer o sabão e também da interferência de alguns óleos essenciais e aditivos.
Os valores abaixo de 25% e acima de 40% estão assinalados em vermelho porque estão em regiões não recomendada, podendo haver separação de líquidos abaixo de 25% e reação muito rápida acima de 40%.
Os principais óleos saturados também conhecidos como óleos duros (hard oils) são os que contém predominantemente, ácidos graxos saturados na sua composição:
óleo de côco, palmiste, babaçú, palma, manteiga de karité, manteiga de cacau, e o esteárico (ácido graxo)
Os principais óleos insaturados também conhecidos como óleos moles (soft oils) são os que contém predominantemente, ácidos graxos insaturados na sua composição:
óleo de oliva, girassol, canola, soja, amêndoas doce, abacate, semente de uvas, arroz e mamona.
Só vou citar os dois extremos da relação saturados/insaturados. No máximo de 100/zero da relação sat/insat está o sabão de côco 100%., cujo único óleo é o que contém o ácido graxo saturado laurico que pode ser o côco, palmiste e babaçú. O traço deste sabão é muito rápido e a saponificação é exotermica, isto é, gera muito calor. Aqui é preciso trabalhar com uma concentração baixa de soda (mais água) do que o normal, algo abaixo de 30%, o que favorece um maior controle do traço e também pode evitar rachaduras do sabão no molde.
O outro extremo é o venerado sabão 100% azeite de oliva, cujo único componente é o óleo de oliva, que contém predominantemente o ácido graxo oleico, um monoinsaturado. Muitos fazem este sabão usando o valor default de 28% de concentração de soda na calculadora da Mendrulandia ou 38% de água sobre % de óleos na calculadora do Soapcalc, que corresponde a 25% de concentração de soda. Este valores de concentração de soda podem ser enormemente otimizados usando até 40% de conc. de soda.
Este é meu último sabão do semestre. Vou estar ausente por um bom tempo, uma viagem longa! Deixo aqui meus agradecimentos a este pessoal incrível de Portugal. Muito obrigado por fazer parte do grupo Saboaria.
Este sabão quadriculado é feito do modo mostrado na figura abaixo.
Foi usado uma fórmulação básica bastante simples. O importante é sempre trabalhar com traço bem leve para permitir um bom nivelamento entre camadas e é fundamental no alinhamento preciso das cores.
Sabão com swirl se refere a uma técnica para decorar um sabão usando duas ou mais cores para colorir uma barra de sabão feita por cold process. O efeito obtido é muito variado de acordo com o tipo de técnica de swirl utilizada, sendo o padrão mais comum é o que se assemelha ao marmorizado.
Swirl de colher Branco e Preto
Swirl de colher amarelo e preto
Swirl de colher branco e verde
Existem inúmeros modos de se fazer o swirl que as vezes envolve o uso de duas ou mais técnicas ao mesmo tempo, como por ex. troca e cabide. Podemos citar:
Colher (spoon) – como o nome diz, são usados colheres para obter o efeito
Pote (pot) – a mistura de cores é feita dentro do recipiente de preparao do sabão
Cabide (hanger) – é usado um dispositivo de arame parecdido com um cabide
Funil (funnel) – usa-se um funil para obter um padrão concêntrico
Coluna (columm) – usa-se uma coluna de perfil quadrado, redondo ou triangular
Arcoiris (rainbow) – as cores são depositadas em camadas multicoloridas
Troca (swap) – o molde é dividido em duas partes de cada cor e depois misturado
Pavão (peacock) – é desenhado figuras que lembra as penas do pavão
No molde (in the mold) – o swirl é feito no molde de vários modos
É fundamental que se tenha um controle sobre o traço. Em todas as técnicas de swirl é necessário que a massa de sabão tenha fluidez, que a viscosidade do traço seja baixa a média para permitir o escoamento, a mistura e o assentamento das massas coloridas. Se o traço for muito viscoso, impossibilita obter os padrões de swirl.
Para ter o controle sobre o traço é necessário gerenciar a sua formulação de tal modo que ela seja livre de componentes que aceleram o traço. A proporção de óleos com ácidos graxos saturados/insaturados deve ser mantida baixa na medida do possível, deve-se evitar aditivos que possam acelerar o traço como a cera de abelhas e conhecer o comportamentos dos óleos essenciais, evitando aqueles que aceleram o traço.
Em termos de processo, trabalhar em condições que minimizem a aceleração dos traço. Trabalhar com concentração baixa de soda, isto é, quanto mais água, melhor. As concentrações de 25% a 30% são os limites, sendo o ideal 28%. Manter a temperatura dos óleos e soda baixas, abaixo de 30° C.
O uso do mixer deve ser feito com muita cautela, precisa ter experiência e domínio do seu uso.
De preferência usar colorantes que são especialmente formulados para essa finalidade. Normalmente são líquidos e soluveis em água e facilmente dispersos na massa de sabão e permanentes, não desbotam ou mudam de cor na soda e tem resistência a luz. Este colorantes não são encontrados por aqui, precisam ser importados.
Um alternativa viável seria o uso de pigmentos e argilas. A maioria dos pigmentos são de difícil dispersão, precisam primeiro um pre-mix com um pouco de óleos para desagregar, com o risco de formar pontos e grumos na massa.
Veja mais sobre colorantes para sabão neste post:
http://www.japudo.com.br/2013/01/10/o-que-usar-para-colorir-os-sabonetes-cold-process/
Quem sabe esta técnica seja a mais simples e fácil de fazer um swirl.
Normalmente é usado em swirl de duas cores e os passos são:
1 – prepare o sabão deixando no traço mínimo, adicione as fragâncias e os aditivos, se for o caso,
2 – divida a massa em duas partes propocionais ou não dependendo do efeito desejado.
3 – misture em cada parte o colorante escolhido e misture bem. Se necessário use o mixer, mas com cautela.
4 – use uma colher de sopa pequena para cada cor e vá adicionando alternadamente no molde previamente preparado. Deposite cada colherada de uma cor deixando um espaço, não sobreponha, e deixe rastros entre uma deposição e outra. Siga com outra cor, formando camadas, até completar o molde.
5 – bata o molde para assentar a massa e eliminar vazios e bolhas
Melhor do que ler, é ver. Existem dezenas de vídeos que mostram as técnicas de swirl, é só pesquisar e assistir.
A formulação do sabão é bem básica, somente três óleos que dão as propriedades normais de um sabão balanceado. No caso do sabão amarelo e preto foi usado o óleo de palma bruto (azeite de dendê) no lugar do palma para dar a cor amarela.
Nesta formulação foram mantidos todos os óleos do shampoo em barra cabelo e corpo, que é mais indicado para cabelos normais e finos. Foi acrescentado 15% de óleo de côco ou babaçú ou palmiste, o que fica bastante adequado para cabelos oleosos devido a ação de limpeza destes óleos. Pela quantidade baixa, a ação de limpeza será bem suave mantendo as propriedades emolientes deste tipo de shampoo.
Para obter a cor rosa claro foi adicionado calamina, um mineral de óxido de zinco com uma pequena quantidade de óxido de ferro, que tem uma cor rosa pália e ação terapeutica no condicionamento da pele. A cor normalmente se acentua um pouco à medida que o sabão seca.
clique aqui para fazer o download da fórmula
Por muitos anos o sabonete contendo enxofre é reconhecido como eficaz no tratamento de uma variedade de condições de pele, notadamente na redução de acnes. Aqui no Brasil a marca mais conhecida é a Granado, Confiânça em Portugal e Dr. Kauffman nos USA.
Costuma ser oferecido com duas dosagens de enxofre, normalmente 10% e 4% e também com adição de ácido salicílico. Tem testemunhos de pessoas com pele muito oleosa que costuma tomar o banho diário com o de 10% de enxofre. A recomendação no tratamento de acnes severas é desenvolver a espuma e passar essa espuma na região afetada e deixar agir por alguns minutos.
Resolvi tentar fazer este tipo de produto na saboaria artesanal. Na pesquisa que efetuei nada encontrei em lugar algum que tivesse uma referência de como fazer sabão de enxofre no escopo artesanal. Os produtos comerciais imagino que seja uma massa básica de sabão que é adicionado o enxofre e extrussado normalmente.
Uma ressalva, como o título do post diz, essa é uma experimentação que fiz e portanto muitos pontos ainda estão na esfera de experiência e não estão totalmente esclarecidas. Se você quiser duplicar, fica por sua conta e risco.
Optei por iniciar pelo cold process usando as duas dosagens de enxofre, 4 e 10%.
A primeira dúvida, como adicionar o enxofre. Dois modos, ou misturar nos óleos ou adicionar no trace. O enxofre é absolutamente insolúvel na água e com uma agravante, nem sequer é possível dispersar na água, simplesmente não mistura e nem é molhado pela água, fica sempre sobrenadante. Também não é solúvel em óleos, é mais tolerante quanto à molhabilidade, mas não dispersa bem nos óleos.
Escolhi adicionar no trace porque se já é difícil dispersar nos óleos, imagina misturar na massa engrossando no trace.
Depois de 24 horas, no momento de desmoldar, o sabão com 4 % de enxofre estava completamente mole que não era possível manusear e foi preciso esperar 48 horas, mas mesmo assim o sabão continuava mole e assim ficou até o final de 20 dias. A princípio não consegui entender o que ocorreu neste sabão que ficou muito mole e gorduroso, sinal de que não todo os óleos saponificaram.
O sabão de 10% estava normal, com uma dureza razoável e foi possível cortar em seguida.
Este sabão com 10% de enxofre à medida que secava começou a desenvolver manchas nas superfície do sabão. Essas manchas é do pó de enxofre que migrou para a superfície do sabão.
Essas manchas podem ser removidas com raspagem e elas não tem tendência a retornar.
Este sabão com 10% de enxofre, feito por cold process tem característica boas, tem dureza, faz uma boa espuma e a sua propriedade de limpeza é extremamente alta, apropriada para uma pele muito oleosa, típica de um sabão de enxofre.
O sabão com 4% de enxofre continua mole depois de 20 dias e o interessante é que formou uma camada externa de cor amarelada e o interior adquiriu uma cor marrom bem escura. Essa camada de cor amarelada é provavelmente óleos que não saponificaram. Isso pode ser por falta de soda que pode ter sido consumida em alguma interação com o enxofre, por mais estranho que possa parecer. Este sabão não deu certo e será descartado.
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Alterei a formulação para economizar os óleos caros e fiz uma fórmula bem simples retirando o óleo de abacate e a manteiga de karité e aumentando o oliva e o mamona. O processo utilizado foi um hot process convencional com uso da panela de cozimento lento (crock pot). A fase gel translúcido foi obtida com 2 horas de cozimento. Dividi a massa, uma parte em um banho-maria e a outra permaneceu na panela de cozimento lento. Nesta do banho maria foi adicionado 10% de enxofre e na outra os 4%.
Em ambos os casos foi muito difícil incorporar o enxofre na massa do hot process. Forma se grumos de difícil dispersão, mesmo adicionando mais água quente à massa.
Neste de 4% de enxofre que foi adicionado na massa que permaneceu na panela, no fundo da panela, onde a temperatura é maior, o enxofre fundiu e formou grumos de cor castanho escuro, típica do enxofre fundido. O enxofre tem um ponto de fusão ao redor de 112° C e forma um líquido de alta viscosidade e de cor castanho escuro.
Os pontos brancos são da massa de sabão que não foi misturado com o enxofre.
Os dois sabões de enxofre por hot process tem boas propriedades em geral apesar do aspecto não muito uniforme, devido aos pontos brancos da massa não misturada com o enxofre e dos pontos escuros devido à fusão do enxofre.
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Comparando a cor do sabão feitos com os dois métodos é possível inferir que existe uma interação entre a soda e o enxofre no cold process. A cor escura é produto desta interação, o que não acontece no hot process pois a saponificação já ocorreu quando da adição do enxofre e a cor se mantém como a cor natural do sabão, um pouco mais clara devido a própria cor do enxofre. O sabão com 4% por hot process a cor é mais escura comparado com o de 10% pelo mesmo processo porque houve uma pequena fusão de enxofre que tingiu um pouco o sabão.
Essa interação do enxofre com a soda somente é possível se existir um agente redutor que potencializa a reação da soda líquida com o enxofre. Pode ser que haja um redutor na mistura de óleos que possibilita esta reação. É só uma hipótese que carece de uma comprovação
A maior dificuldade está na incorporação do enxofre na massa de sabão de tal modo que fique uma mistura homogênea. Como a solubilidade e a dispersão do enxofre é nula tanto na água como nos óleos e muito dificil obter uma boa mistura. A agravante é que o enxofre tem uma forte tendência a formar grumos de difícil dispersão. Um modo para minimizar é peneirar o enxofre em uma malha fina antes de incorporar e adicionar lentamente, mexendo, se o processo permitir. Outra dificuldade é a fusão do enxofre que gera um líquido viscoso de cor castanho escuro que acaba por contaminar o sabão quando feito por hot process se a temparatura subir demasiadamente.
O sabão com 4% de enxofre por cold process precisa ser repetido para determinar a causa do amolecimento e do excesso de óleos sem saponificar. Posso ter cometido algum erro que me foge à percepção, pois é muito estranho o ocorrido que me fez descartar o sabão.
Fica pendente também a eficácia deste sabão artesanal de enxofre com relação ao tratamento de acnes pois não foi possível até agora fazer os testes.
O óleo de Neem é conhecido por suas propriedades antibactérias e antifungos, mas também tem ação benéficas sobre algumas condições da pele como, acne, caspa, micose, psoríase e eczemas.
Esta é uma fórmula convencional de um shampoo para cabelos e também para o corpo, com predominância de óleo de abacate e oliva, ricos em oleico para um condicionamento suave da pele, palmiste em pequena quantidade para uma média ação de limpeza, palma para a dureza, mamona para a cremosidade e o óleo de neem com ação contra bactérias e fungos.
O óleo de neem tem um odor característico e pungente que foi minimizado com a mistura de óleos essencias de lavandin, litsea cubeba, tea tree, alecrim e limão siciliano.
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O sabão preto Beldi é um sabão típico do Marrocos usado nos banhos (Hamman) do oriente, o banho turco ou sauna a vapor, principalmente na cidade praiana de Essaouria na costa Atlântica do Marrocos, onde este sabão foi criado.
O sabão Beldi é um sabão na forma de pasta que não faz muita espuma, de cor castanho escuro, rica em vitamina E, que possui muita propriedades benéficas para a pele, onde se destaca a sua ação exfoliante além de hidratar e suavizar a pele. É usado para preparar a pele para a exfoliação manual, purificando a pele ao espessar as células mortas para a posterior retirada.
Como é usado o sabão Beldi
Com a pele estando quente e úmida no ambiente de vapores da sauna, é passado em todo o corpo o sabão preto Beldi, deixando atuar por 10 minutos como uma máscara de tratamento. Decorrido o tempo é retirado completamente e em seguida, com uma esponja adequada, usa-se no Marrocos a esponja Kassa apropriada para o Hamman, procede se a exfoliação enégica onde as células mortas da pele são facilmente retiradas.
Este ambiente de vapores e calor pode ser reproduzido, guardadas as devidas proporções, no ambiente doméstico ao deixar formar os vapores com o chuveiro ligado no box de banho.
Existem vários tipos de sabão Beldi sendo o tradicional a cor escura e a fragância de eucalipto. O sabão é composto de óleo de oliva e pasta de azeitonas pretas saponificadas com potassa (KOH).
Até o começo deste mês de abril, nada sabia sobre o sabão preto do Norte da África e do Oriente Médio e especificamente deste sabão preto Beldii do Marrocos. Foi colocado um post no grupo Saboaria, de Portugal, onde tomei o primeiro contato. Fiquei muito interessado com a composição e a aparente simplicidade. Um comentário no meu blog do saboeiro Luis Carlos Gulias me fez ver uma possibilidade de fazer este sabão artesanalmente por hot process com o processo do sabão líquido, bastando deixar em forma de pasta e não diluir para o sabão líquido.
Analisando os componentes deste sabão vc chega a conclusão que o componente chave é a pasta de azeitonas. É um raciocínio empírico, por exclusão, pois sem a pasta de azeitonas, este sabão seria um simples sabão de oliva em forma de pasta. A azeitona tem aproximadamente, varia de acordo com o espécie e outras variáveis tipo clima, 52% de água, 19% de óleo, 1,5% de proteina, 19% de áçúcar, 7% de celulose e 1,5 de cinzas. Pois estes componentes é que devem conferir as propriedades características do Beldi.
A fórmula ficou assim elaborada :
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Comprei as azeitonas pretas para preparar a pasta e optei por azeitonas pretas do Líbano, apesar da cor não ser muito uniforme, variando de escuras para algumas mais claras. A vantagem é que estavam em salmoura e descaroçadas
Estas azeitonas pretas libanesas foram deixadas em água quente por 5 minutos para eliminar o óleo superficial e depois trituradas até virar um patê de azeitonas com o uso de um processador de alimentos.
Usei um óleo de oliva extra virgem espanhol que comprei em uma promoção. Não costumo desperdiçar extra virgem para sabão, mas este estava com um bom preço.
Foi seguido o processo normal de hot para o sabão líquido que está no site:
http://www.japudo.com.br/saboaria/sabonetes-liquidos/, mas com algumas ressalvas:
- como é um sabão 100% oliva, o trace é bem demorado, coisa de 15 minutos com o uso intensivo do mixer.
- esse uso intensivo do mixer incorpora muito ar na massa e nas primeiras 2 horas de cozimento é preciso prestar atenção para evitar a erupção da massa mexendo com a espátula.
- Existe um movimento de convecção na massa mas não suficiente para despreender o ar ocluido na agitação
- como a massa se torna escura a partir da segunda hora, fica difícil observar as fases característica do hot com KOH – applesauce, mashed potatoes, etc.
- Após 3 horas o pH estava em 9, indicando uma reação completa de saponificação.
- deixei mais 1 hora, totalizando 4 horas, para evaporar um pouco de água e deixar a pasta mais viscosa.
A pasta de azeitonas pretas é misturada com o óleo de oliva.
O traço demora para acontecer, precisa usar o mixer intensivamente.
Como foi usado o mixer intensivamente há muito ar ocluido na massa e há o perigo de erupção.
Quase ao final de 3 horas de cozimento.
Este é o aspecto após 4 horas de cozimento e o final do processo.
Foi deixado esfriar até 60º C e adicionado os óleos essenciais de eucaliptos.
Após overnight o aspecto final do sabão preto Beldi.
Hoje arrumando as minhas bagunças encontrei uma caixa cheia de sabão, sabões feitos em 2009 e 2010, todos em perfeito estado, embalados em celofane.
Entre os vários sabões lá estava um sabão de Castilla 100% oliva, um puro, sem nada e outro com argila verde, ambos sem cheiro. Foi um grande achado pois é difícil se ter um sabão com tal longevidade!
De imediato lembrei da discussão sobre o sabão 100% azeite que de algum modo tenho me posicionado como um crítico deste tipo de sabão mono-óleo por cold process feito artesanalmente.
Este sabão de Castilla como é chamado, não tem nada do antigo sabão de Castilla levado ao Mediterrâneo, nas terras de Espanha, pelos mouros no século 11, que conheciam as técnicas do sabão de Aleppo.
Na falta do óleo do fruto do louro, fizeram o sabão somente com o oliva em processo a quente em ebulição e com o uso da barrilha como álcali para a saponificação e solução de sal para precipitar o sabão, o que retira a glicerina.
Dois séculos depois esse sabão foi levado à Marselha e iniciou no século 13 a produção do famoso e tradicional sabão de Marselha, que infelizmente as empresa produtoras hoje passam por sérias dificuldades.
Obviamente hoje não temos como testemunhar a performance do sabão de Castilla original mas uma base pode ser o sabão de Marselha que herdou muito do Castilla. Este tipo de sabão tem uma característica peculiar e facilmente notado de fazer pouca espuma e espuma miúda.
O sabão 100% oliva feito artesanalmente por cold process herdou esta característica ou “defeito” do sabão de Marselha e provavelmente do Castilla original. Também com uma agravante, o sabão não tem dureza no uso, sua dissolução é muito grande no contato com a água, fica pegajoso e forma um resíduo de massa dissolvida e espuma na superfície do sabão.
Entretanto herdou a característica fabulosa de condicionamento, proporcionando uma hidratação e emoliência à pele, sem igual.
Como é contato em versos e prosas que o sabão 100% oliva feito por cold process vai ao longo do extenso tempo de secagem, alguns recomendam de 6 a 9 meses, adquirindo melhores propriedades como um todo e eu tinha agora em mãos um sabão de Castilla 100% oliva com 3 anos de idade, só me faltava confirmar tal dito.
As calculadoras on-line permitem ter uma estimativa da performance do sabão nas cinco propriedades, que são: dureza, limpeza, condicionameto, espuma e cremosidade/persistência.
As calculadoras mais usadas são o Soapcalc e o Mendrulandia. O Soapcalc, mais crítico, apontam para o sabão de Castilla as seguintes deficiências: zero de limpeza, zero para espuma, 17 para dureza e 17 para cremosidade. 
O da Mendrulandia, menos crítico, aponta as deficiências de espuma e persistência no limite inferior e dureza e limpeza a meio caminho do ideal.
Este sabão de 3 anos tem uma boa dureza mas não chega a ser uma dureza tipo pedra, se pressionar com força chega a ceder, não rompe mas cede. A dureza é um pouco inferior à um sabão convencional com oliva, côco e palma com o mesmo tempo de secagem.
A espuma continua sendo de difícil desenvolvimento e pequenas e o sabão dissolve muito fácil ao contato com a água deixando um certo resíduo, uma nata na superfície do sabão.
Comparando com um sabão convencional com oliva, côco e palma nota-se a grande diferênça do tipo de espuma, grande, farta e de fácil desenvolvimento.
O que podemos concluir é que, apesar do longo tempo de secagem e estocagem, no sabão de Castilla 100% oliva feito por cold process não há uma melhora nas propriedades deficientes ao longo do tempo.
Apesar destas deficiências do sabão de Castilla 100% Oliva por cold process, este sabão continua imbativel para pele mais sensíveis e é muito usado para o banho dos bebês e crianças, pelo seu alto poder condicionador.
Este é um sabão artesanal vegetal e vegan, feito por cold process, um shampoo sólido para cabelos e corpo em forma de barras. Não é comum o uso de um shampoo sólido em forma de barras para o trato dos cabelos.
Na saboaria artesanal quando se faz um shampoo para cabelos, normalmente se faz um sabão líquido pelo método hot process. No sabão líquido sempre existe a necessidade de óleo de côco ou babaçú ou palmiste porque o laureato de potássio é o mais solúvel dos sais de sabão e confere ao sabão líquido a solubilidade necessária e também a transparência.


O óleo de côco por outro lado é conhecido por sua forte ação de limpeza, o que, dependendo da quantidade usada, pode ser até agressivo para a pele e principalmente, para o couro cabeludo, uma área de muita sensibilidade.
Como existe um limite para a quantidade de óleo de côco, não é possível formular um bom shampoo líquido para cabelos sem óleo de côco.

Pensando na possibilidade de fazer um shampoo em barras sem óleo de côco, passei a trabalhar numa formulação adequada para isso.
O objetivo era ter uma shampoo que tivesse o máximo de propriedades condicionadoras e o mínimo de agressividade à pele e couro cabeludo.
Lembrar que propriedade condicionadora significa principalmente emoliência e humectação, emoliência atuando como um lubrificante e humectação aumentando o conteúdo de água na pele.
Selecionei dois óleos com excelentes propriedades condicionadoras, o óleo de oliva e o óleo de abacate. O oliva é sobejamente conhecido por suas ótimas caracteristicas para a pele e o abacate também muito conhecido pelos benefícios aos cabelos, recuperando cabelos ressecados e deixando-os sedosos.
O óleo de palma cuja função principal é dar dureza ao sabão, foi eliminado para potencializar as quantidades do oliva e do abacate, que totalizam 70%.
Os 12% de óleo de mamona é uma quantidade razoável para ter uma boa cremosidade e espuma espessa. A principal função da manteiga de karité nesta formulação é dar um pouco de dureza ao sabão. O óleo de jojoba contribui em muito para o bom trato do couro cabeludo e sua quantidade é mantida baixa para não comprometer a dureza pois seus quse 10% de insaponificáveis derrubam a dureza. O açúcar está para auxiliar a melhorar a formação de espumas.
Esta formulação é bastante diferente, não usual, quebra as regras de uma boa formulação. É semelhante ao sabão 100% oliva onde predomina o oleato de sódio. Se colocar em uma calculadora que fornece as propriedades do sabão, como o Soapcalc, verá que é uma formulação “desbalanceada”, com uma proporção de insaturado/saturado de 80/20. Por exemplo, tem zero de limpeza, isto é claro, porque não tem côco, tem dureza abaixo do limite inferior sem o palma e a espuma no limite inferior pois o açúcar não entra nos cálculos. Em contrapartida tem um condicionamento muito além do limite superior. Acontece que esta formulação é desbalanceada propositalmente, tudo foi elaborado para que desse um ótimo condicionamento sacrificando outras propriedades, dentro do aceitável.
Com a ausência de óleos saturados este sabão tem um defeito, muito similar ao sabão com 100% óleo de oliva. Quando molhado ele fica pegajoso e tem uma certa tendência a solubilizar mais rápido do que um sabão normal com palma e côco. Nada muito grave que deprecie o sabão, tomando os cuidados devidos para sabões deste tipo não haverá problemas. Este é o preço que se paga para ter o máximo de condicionamento para os cabelos.
clique aqui para baixar a fórmula completa

Após uma semana de secagem fiz um teste de uso deste shampoo em barras. Todas as propriedades preditas foram alcansadas e em muitas delas superaram as expectativas. O shampoo depois de secar somente por uma semana já tem dureza suficiente para ser manuseado sem problemas. A massa é bem uniforme e sem granulosidade e aspereza (não tem côco). Tem farta espuma com bolhas médias, cremosidade típica do mamona e um razoável grau de limpeza. Deixa os cabelos soltos e sedosos. Cumpre as funções típicas de um bom shampoo e também, o melhor, é muito bom para o corpo. deixa a pele aveludada bem perceptível por um longo tempo após o banho. O shampoo realmente fica pegajoso após o uso mas seca bem e fica bom para o próximo uso
Algumas pessoas do grupo Saboaria de Portugal queriam fazer um sabão de barbear por cold process ao invés do método tradicional por HP e me comprometi a ver isso. Em 2009 quando desenvolvi pelo HP, tinha feito alguns teste com o CP e o resultado não me agradou, e agora sei que era devido a proporção de soda/potassa.
Trabalhei na reformulação e agora o resultado está satisfatório. Ontém fiz um pequeno lote para testar o processo. Lembrar que a composição de óleos é a mesma do HP, somente o processo é diferente. Fiz ontém e hoje já fiz a barba com ele! É impressionante, em menos de 24 horas foi possível usar o sabão! A reação é muito rápida e quando medi o pH já estava com o valor que indica uma reação completa, de 8 a 9. A espuma é farta, cremosa e duradoura, deixei de contar o tempo de persistência quando deu 1/2 hora e a espuma continuava íntegra.
Este sabão consiste de dois sabões que são feitos simultaneamente, um de sódio (NaOH) e outro de potássio (KOH) que são feitos até o traço e depois misturados. O de sódio é um CP normal com os óleos, até um traço bem leve. O de potássio é com o ácido esteárico que é um ácido graxo saturado, livre (ácido octodecanóico), e portanto não há uma hidrólise prévia de conversão do triglicerídio (óleos) em ácido graxo e glicerina. Sendo um ácido livre, a reação com o hidróxido de potássio é instantânea. E aqui vem a dificuldade, a viscosidade aumenta muito rapidamente e é necessário força para misturar bem no SE e na mistura dos dois sabões.
Tudo é preparado antes, o da esquerda são para o sabão de sódio e o da direita para o sabão de potássio.
Os óleos do sabão de sódio podem ser derretidos no microondas. Para derreter o ácido esteárico, não use o microondas porque não vai derreter. Use de preferência a boca do fogão ou uma chapa elétrica.
O sabão de sódio é um sabão convencional e é deixado no traço bem leve.
O sabão de potássio é difícil de processar devido à rapidez que ocorre a reação. Fica este aspecto pastoso e meio aerado, pulvorento. Não deixe o ácido esteárico solidificar, mantenha a temperatura acima dos 70ºC antes de misturar com o hidróxido de potássio.
É preciso misturar muito bem para ficar uma massa homogênea. Use uma colher resistente. Não tem fotos da mistura dos dois sabões por absoluta falta de tempo para tomar as fotos. Tem que trabalha rápido e misturar muito bem os dois sabões, que é uma tarefa difícil devido a alta viscosidade da mistura. Eu não me didique muito a isso e formaram algunas pontos brancos do sabão de potássio não agregados. Não compromete a performance do sabão é só uma questão de aparência.
Uma vez misturados bem, colocar nos moldes. Recomendo usar moldes definitivos como esses da banheirinhas de porcelana (saboneteiras) ou esses para base glicerinadas ou de silicone. Não recomendo usar molde convencional para cortar o sabão posteriormente. Isso tudo porque é difícil manusear a massa.


É um sabão que deve ser feito por pessoas com alguma experiência em CP pois requer prática para lidar com um processo muito rápido, com uma massa compacta de difícil mistura. Recomendo que duas pessoas façam o sabão, fica mais fácil, trabalhando em conjunto.





A formula com as instruções pode ser baixada na página de downloads, clique aqui.
Tem sido comentado no grupo Saboaria, de Portugal, as questões relevantes dos impactos negativos do cultivo e extração do óleo de palma, feitos de modo não sustentável, socialmente incorretos, pelos maiores produtores mundiais, a Indonésia e a Malásia.
Já tinha comentado esta questão no post – “O óleo de palma pode ser sustentável?”: http://www.japudo.com.br/2013/01/01/o-oleo-de-palma-pode-ser-sustentavel/.
As pessoas mais enganjadas querem banir o uso do óleo de palma no sabão artesanal e para tanto, buscam formulações alternativas que não contenham o palma. É perfeitamente possível fazer uma formulação sem palma, lembrando que o palma é rico em ácido palmítico e um pouco de ácido esteárico que são os ácidos saturados que conferem ao sabão a dureza necessária. A regra então, é buscar óleos e manteigas que são ricos em palmítico e esteáricos. Não existe muita opções e normalmente são caros comparados ao palma. São eles, a manteiga de cacau, a manteiga de karité e o óleo de arroz.
A Ana Caseiro Duarte Costa do grupo Saboaria postou um link do site da saboeira Amanda Griffin, onde ela explica muito bem a questão do palma e também apresenta cinco alternativas de formulação livre de palma.
Fiquei curioso de saber qual seria o impacto nos custos da substituição do palma por essas matéria primas mais caras.
Entrei em contato com a Amanda Griffin e ela, gentilmente, me deu a permissão de publicar estas fórmulas aqui no site.
O site da Amanda é:
http://www.lovinsoap.com/2012/06/palm-free-recipes-day-1/#comment-3816
Fiz a análise e o resultado mostra um grande impacto nos custos. Chega a quase dobrar os custo e na melhor das alternativas, o aumento no custo é de 57%.
Este mesma análise fiz para as condições de Portugal e também há um impacto forte de modo geral.


A nossa sorte é que, o Brasil é o 7º produtor de óleo de palma e diferente dos gigantes da Ásia, nossa produção é feita de modo sustentável e responsável, graças a um trabalho sério feito pela maior empresa sediada no estado do Pará.
Se alguém quiser o trabalho completo que está numa planilha, por favor, entre em contato.
Muitos já tem o seu molde que usam e estão satisfeitas com ele.
Entretanto as pessoas que estão começando tem certa dificuldade em obter ou faze-los.
Desenhei este molde simples cujas dimensões são de 300 x 90 x 100 mm que permite fazer 12 barras de sabão de 130g no tamanho padrão de 90 x 60 x 25 mm. Para esta 12 barras de tamanho padrão, a quantidade de massa de sabão necessária é de 1560g. Como tem uma altura de 100mm, permite fazer barras com maior altura, limitada à 85 mm.
Caso queiram fazer um guia de corte para cortar o sabão com uma faca, lâmina ou um fio de aço inox esticado, tem um desenho de como fazer as ranhuras no molde.
Se quiserem um molde menor, é só redimensionar as peças horizontais, por exemplo, para 6 barras as medidas serão pela metade.
A foto acima é de um modêlo anterior, tem só uma diferênça na peça lateral.
O arquivo em pdf pode ser baixado na página de dowloads – clique aqui
Este revestimento reutilizável para molde usei por um longo tempo, é feita de folhas de plásticos em tamanho A4 que se usam para encapar trabalhos. Podem ser usados as de acetato ou de polipropileno, sendo estas, mais resistentes. Podem ser encontradas em papelarias ou lojas que fazem fotocópias e encadernação.
Tem um pequeno problema da massa as vezes grudar um pouco no revestimento, mas nada que comprometa o acabamento da barra de sabão. Para reutilizar basta lavar e secar.




O arquivo em pdf pode ser baixado na página de dowloads – clique aqui
A principal característica que deve possuir um sabão ou creme de barbear é o desenvolvimento de muita espuma, espuma densa, cremosa e, principalmente, persistente. Persistente significa que a espuma uma vez formada, permaneça por um tempo razoável sem se desfazer.
Se você usar um sabão comum para fazer a barba, pode até conseguir desenvolver a espuma mas com certeza a espuma não será persistente, vai se formar e rápidamente vai se desfazer. Então é necessária uma formulação específica que dê essas características.
Na saboaria artesanal é possível fazer duas formas de produtos para barbear, o sabão de barbear e o creme de barbear. A diferênça entre um e outro é a consistência, o sabão tem uma consistência mais sólida, não tão duro como uma barra de sabonete mas semi-duro e o creme é mais pastoso, menos consistente. O uso de um ou outro depende da preferência. No sabão a espuma é desenvolvida com o pincel de barba diretamente na própria embalagem ou num bowl próprio para isso. No creme a espuma pode se desenvolvida num bowl ou no próprio rosto aplicando uma quantidade e desenvolvendo a espuma diretamente.
FórmulaA formulação que desenvolvi possibilita com uma única receita fazer os dois tipos de produto. É na etapa de diluição que você escolhe a forma que você deseja, se é um sabão, pouco líquido (água ou outro líquido, como suco de aloe vera) , se é o creme, mais líquido. Você vai dosando até obter a consistência desejada.
Para possibilitar esta flexibilidade a fórmula contém hidróxido de sódio e hidróxido de potássio. Como é sabido, o hidróxido de sódio dá um sabão sólido e o hidróxido de potássio, possibilita um sabão líquido. Quando se mistura, aqui foi usado uma relação 1:5 de sódio:potássio, é possível ter uma consistência de semi-sólido até cremoso, dependendo da diluição.
O responsável pelas principais propriedades da espuma é devido ao ácido esteárico (usado aqui o de origem vegetal), que é complementado pelo palmiste (pode ser usado côco ou babaçú) espuma e limpeza e mamona que melhora a cremosidade. O oliva dá as características de condicionador da pele e o karité a emoliência e também a espuma. A glicerina tem a função de facilitar a diluição da massa de sabão e é hidratante.
Se for fazer um creme é prudente não dispensar os antioxidantes e também acrescentar extrato de semente de toranja como conservante. No caso do sabão pode ser dispensável.
Cor e fragância fica à escolha de cada um. Pode ser usado óleos essenciais ou essências. Pode também ser usado pequenas quantidades (para evitar separação) de óleos enriquecedores tais como argan, óleos da amazônia, jojoba, etc.
Processo
O processo é o mesmo do sabonete em creme até o estágio anterior à aeração (bater na batedeira elétrica): http://www.japudo.com.br/saboaria/sabonetes-em-creme/.
A diluição é um processo que envolve certa dificuldade e usando uma batedeira ou um mixer pode ajudar. A batedeira devido a aeração deixa o creme mais fofo.
Fiz um video que postei no YouTube, sobre o corte de um bloco de sabonete vegetal de oliva – citrus (a fórmula está no site), usando os cortadores que fiz, o vertical e o múltiplo. A duração é de 4 min.:
http://www.youtube.com/watch?v=z1CpFHOlOSA&feature=youtu.be
Os óleos vegetais mais comuns que são usados para fazer sabão e sabonetes artesanais são os mesmos que são usados na sua cozinha ou nas cozinhas das industrias de alimentos. São usados no preparo dos alimentos e na fritura.
O soja, canola, girassol e oliva são os mais usados nos lares, o côco na cozinha regional e o palma e palmiste na confeitaria, em doces e na fritura industrial.
Todos esses óleos são comestíveis e de alto consumo, os usados na cozinha doméstica, são encontrados nos supermercados e mercadinhos. Por razões mercadológicas devem obedecer rígidos padrões de apresentação do produto. São padronizados para serem comestíveis e completamente atóxicos e apresentados como líquidos claros e transparentes, isento de particulados, sem odor e com elevado prazo de validade.
Para se atingir essa padronização, os óleos e gorduras de origem vegetal necessitam de um processamento específico. A esse processamento dá se o nome genérico de refino.
Os óleos vegetais são extraidos de uma variedade de sementes, frutos e nozes. A preparação da matéria prima se inicia com a lavagem e limpeza, seguido pelo descasque, trituração e condicionamento.
A extração geralmente é feita por meio mecânico, sendo para frutos a destilação e para sementes e nozes, a presagem com prensa mecânica. ou pelo uso de solventes como o hexano que depois é destilado para separar do óleo e é reaproveitado.
Após a extração, para eliminar os ácidos graxos livres (FFA) que são responsáveis pela rápida deteriorização do óleo e os fosfolipídeos (goma) que deixa o óleo pegajoso, é necessário o processo propriamente dito de refino. Existem dois tipos de refino, o refino físico onde se usa a destilação (p ex. óleo de palma) e o refino químico (maioria dos óleos) onde é usado um álcali, normalmente hidróxido de sódio, para neutralizar o ácido graxo livre.
O método tradicional de refino é o químico onde o álcali diluido saponifica os ácidos graxos livres e é eliminado como sabão, na água. Além do FFA também é eliminado os fosfolipídeos, metais, produtos oxidados, etc.
No método físico é necessário uma etapa de degomagem com ácidos, fosfórico ou cítrico (p ex. palma) para eliminar os fosfolipídeos. Abaixo está um esquema bem simplificado do processo de extração com solvente e refino químico.
O óleo refinado, quando aplicável, passa por um processo de branqueamento com material de absorção (argila ou carvão ativo) e pelo processo de desodorização com fluxo de vapor. No processo final tem se o chamado óleo RDB (refinado, branqueado e desodorizado).
Todo o processo de refino dos óleos não altera a sua composição de triglicerídeos, isto é, a composição dos ácidos graxos. Deste modo as propriedades dos óleos continua a mesma e o sabão feito do óleo refinado é o mesmo, quando aplicável, p ex. oliva, ao óleo não refinado. O refino retira as impuresas contaminantes dos óleos como os FFA e os fosfolipídeos e com alguns óleos vegetais não refinados sequer é possível fazer um sabão, caso do canola e do soja e do palma.
É um dos mitos da saboaria artesanal, isso de ter problemas com o sabão feito de óleo refinado, não existe nenhuma restrição de quantidade e tipo, que afetam as propriedades do sabão. Outra lenda urbana é, no óleo cuja extração foi empregado solvente, este solvente estará presente no sabão! Outra, no refino químico se usa produtos químicos (NaOH) e essa soda estará no óleo e daí vai estragar o sabão! O absurdo é que depois é usado a soda para fazer o sabão!
Abaixo uma relação com os principais óleos e manteigas utilizados na saboaria artesanal e o tipo de processamento para a sua purificação. A numeração do processo se refere ao diagrama anterior.
Como se pode ver, em alguns óleos existe a opção do virgem e extra virgem que significa que o óleo são sofre nenhum refino, notadamente é o oliva, e outra opção são os orgânicos, que significa que no refino não é usado produtos químicos, caso do palma orgânico. Obviamente estes tipos especiais são bem mais caros e de difícil disponibilidade.
Enfatizo novamente, não existe razão para escolher óleos virgem, extra virgem e orgânicos para fazer o sabão. Não existe diferênças entre sabão feitos com estes tipos de óleos e os comuns, refinados.
Depois dos problemas enfrentados pelo sabão de Aleppo devido ao conflito na Síria, agora o sabão de Marselha corre o risco de desaparecer!
Esta matéria foi passada pela Beth Bacchini e foi publicada em 14/12/12 no site:
http://www.laprovence.com/article/economie/le-savon-de-marseille-en-danger-tout-le-monde-sen-lave-les-mains.
Foi traduzida do francês, gentilmente, pela Paula Oliveira, de Portugal.
A maior fábrica está em liquidação judicial
Este cubo de 300g feito desde a Idade Média, deveria ter revolucionado todo um setor econômico na Provença.
Só que, lá está, o famoso sabão de Marselha não tem ainda hoje o rótulo protegido. Nada. Nada. Pior, seu nome caiu mesmo no domínio público.
E a maioria dos produtos estampados como sabão de Marselha, não o são, já que são fabricados na Ásia. Uma conseqüência direta: uma das duas últimas grandes saboarias da região, o Fer à Cheval em Sainte-Marthe, está em liquidação judicial desde 31 de outubro. Um duro golpe para esta empresa emblemática de know-how, adquirida e depois vendida pela Henkel, que em janeiro vai perder 12 pessoas.
“No entanto, nós somos os únicos capazes de suprir o mercado com o verdadeiro sabão de Marselha, enquanto todos os outros estão roubando o nome!” diz Bernard Demeure, CEO da Compagnie des Détergents du Savon de Marseille, ou seja, da Saboaria Fer à Cheval, que ele comprou em 2003. Uma empresa que produz menos de 2.000 toneladas apesar da moda lisongear este sabão ultra natural, reivindicado por dermatologistas e fãs da ecologia.
A concorrência é feroz
E vem da Malásia e Itália. Mais cruel ainda, marcas como Petit Marseillais que dá cartas com os seus géis de banho de mel ou lavanda é um puro produto da Johnson & Johnson! Le Chat são produzidas na Alemanha pela Henkel, Chantecler na Itália … ! Basta ler a composição. Atualmente, quatro saboarias históricas defendem a tradição.
“Com o Le Serail em Cours Julien, Marius Fabre em Salon, a Savonnerie du Midi em Aygalades, formamos uma associação para lutarmos contra os produtos falsificados!” Criaram também a União dos Profissionais Savon de Marseille com uma carta com base em três critérios específicos: composição, modo de fabricação, origem geográfica.
De fato, La Compagnie des Détergents du Savon de Marseille fornece tanto para a La Compagnie de Provence ou os mais puros produtos, para a Licorne.
“Mas estamos em um período de observação até abril. Portanto eu tento tomar as medidas necessárias para sustentar o negócio, como a loja da fábrica. Mas estou chocado por ninguém fazer nada para o proteger. Marselha não se preocupa nem por um produto que fez a sua história, por instalações que datam do século 19. Lembrar que houve um tempo em que 30% da população ativa trabalhava diretamente ou indiretamente para a saboaria”.
Única saída também para Bernard Demeure: a Indicação Geográfica Protegida (IGP), selo oficial europeu de origem e qualidade que protege os nomes geográficos e oferece uma possibilidade de determinar a origem de um produto alimentar, quando ele obtém alguma da sua especificidade desta origem. “Esta indicação poderia ser aberta para os produtos manufaturados.
” E de resto a Savonnerie du Fer à Cheval gostaria de meter as mãos na massa em 2013.” Há dois anos que trabalhamos num projeto com a empresa Générik Vapeur para um sabão de 30 toneladas! A um mês da abertura, ainda não nos encontraram um espaço mesmo sendo o emblema da cidade e um produto que faz sonhar o mundo”. Na verdade, do que se trata é de um combate: “Se eu me quisesse desembaraçar deles, estes três hectares da fábrica há muito que se poderiam ter tranformado num supermercado”.
A sentença causa em todo o caso frio na espinha:” Se fecharmos dentro de 6 meses, isso significa que o sabão made in Marselha terá terminado. Perde-se também uma parte d a nossa história”.
Senhor Montebourg, há mais na vida do as blusas à marinheira* … Protejamos o “Genuine Marseille soap”!
Agathe Westendorp
* nota da tradução: refere-se a uma marca de blusas à marinheira da marca Armor-Lux sobre as quais há uma polémica se são ou não feitas na França
Traduzido por Ana Paula Barreto Oliveira
Traduzi esta matéria que foi publicada em 31/01/13 no site da Cruelty-Free International:
http://www.crueltyfreeinternational.org/en/a/EU-set-to-ban-animal-testing-for-cosmetics-forever-news.
The Body Shop e Cruelty Free International pioneiros da campanha, comemoram após 20 anos de militância.
Depois de mais de 20 anos de campanha, a empresa de produtos éticos de beleza, The Body Shop e a organização sem fins lucrativos, Cruelty Free International estão finalmente comemorarando o fim de testes de cosméticos em animais na Europa, com o anúncio antecipado de que a importação e venda de produtos cosméticos testados em animais e ingredientes será proibida na UE em 11 de março de 2013.
Esta vitória inovadora significa que, a partir 11 de marco, qualquer pessoa que pretenda vender novos produtos e ingredientes cosméticos na UE não deve testá-los em animais em qualquer lugar do mundo. A proibição afeta todos os cosméticos, incluindo produtos de higiene pessoal e produtos de beleza, do sabão à pasta de dentes. A The Body Shop é uma das poucas marcas de beleza que não serão afetados pela proibição, depois de ter sido sempre contra os testes em animais.
The Body Shop e a Cruelty Free International está lançando uma série de atividades comemorativas especiais na contagem regressiva para março 11, motivados pela confirmação pessoal do Comissário Tonio Borg que a proibição deverá ir em frente, como proposto. Borg escreveu em uma carta recente aos ativistas da campanha, “eu acredito que a proibição deve entrar em vigor em Março de 2013, como o Parlamento e o Conselho já decidiram. Estou, portanto, não pretendendo propor um adiamento ou derrogação à proibição.”
A proposta de proibição envia uma mensagem forte a todo o mundo em apoio a beleza sem crueldade e em particular para países como a China, que ainda exigem testes de cosméticos em animais, para também enganjar e proibir testes em animais.
O Executivo Chefe da Cruelty Free International, Michelle Thew disse: “Este é realmente um evento histórico e culmina com mais de 20 anos de campanha. Agora vamos aplicar a nossa determinação e visão em um palco global para assegurar que o resto do mundo siga esta orientação.”
Paul McGreevy, Diretor Internacional de Valores da The Body Shop prestou homenagem aos clientes que têm apoiado a campanha da empresa contra a experimentação animal em cosméticos por muitos anos e disse: “Esta grande conquista na Europa é apenas o encerramento de um capítulo. O futuro da beleza deve estar livre de crueldade “.
Em 1991, a BUAV (fundador da Cruelty Free International) estabeleceu uma coalizão da liderânça europeia de organizações de proteção aos animal em toda a Europa (ECEAE) com o objetivo de acabar com o uso de testes de cosméticos em animais. Isto desencadeou uma campanha de alta exposição pública e política em toda a Europa ao longo de mais de 20 anos. Em 1993, a The Body Shop, a primeira empresa de beleza a tomar medidas em testes de cosméticos em animais, apoiou a campanha por conseguir o apoio de seus consumidores em toda a Europa. Três anos mais tarde, em 1996, Anita Roddick, fundadora da The Body Shop, juntou-se a membros da ECEAE e deputados na apresentação de uma petição contendo 4 milhões de assinaturas para a Comissão Europeia.
Em 2012, a BUAV estabeleceu a Cruelty Free International, a primeira organização mundial dedicada a acabar com cosméticos testados em animais em todo o mundo. A The Body Shop, juntamente com a Cruelty Free International lançou uma nova campanha internacional, que até agora resultou em clientes de 55 países que assinaram um compromisso global de apoiar o fim dos testes de cosméticos em animais para sempre.
Cruelty Free International Chief Executive Michelle Thew estará se reunindo com o Comissário Tonio Borg na quarta-feira 30 de janeiro, em nome da Coligação Europeia para Acabar com a Experimentação Animal (ECEAE) para discutir a implementação da proibição.
Alguns óleos essenciais, notadamente os cítricos, são fotosensíveis ou fototóxicos. Estes óleos essenciais em contato com o UV da luz do sol podem provocar danos à pele na forma de queimaduras cujas sequelas podem vir a ser difíceis de eliminar. O componente responsável pela ação fotoquímica são os compostos derivados do furano.
Existe uma classificação do potencial de fotosensibilidade que é medida pelo tempo após a aplicação que pode ser exposto ao sol sem ter fotoreatividade. Por exemplo, o Lima tem que aguardar 72 horas, enquanto o Tangerina, 24 horas. De qualquer modo não acho seguro este tipo de informação, o melhor é evitar o uso. Também tem outra nuância, alguns cítricos quando destilados da casca não são fotosensíveis, e quando extraidos por cold press, são. O melhor é ser conservador e procurar não usar esses óleos essenciais em produtos em contato com a pele e que fiquem diretamente expostos ao sol.
Na foto está uma severa queimadura provocada pelo suco do limão. Decerto estava preparando uma limonada ou … uma caipirinha! Não lavou as mãos e expôs ao sol!