Loção pós barba – citrus lavanda

P1030864RevCompletando a linha de produtos para o barbear, uma loção pós barba tradicional (splash)  a base de álcool de cereais e mistura de óleos essenciais que lembra o aroma classico das antigas barbearias, o toque suave e refrescante dos cítricos somando ao vigor da lavanda e gerânio.

Produto 100% natural

P1030861RevCut

Este produto se encontram a venda na loja online.

Cosméticos naturais – lançamento!

P1030836É com muita satisfação que após seis meses de desenvolvimento e testes, estou lançando uma linha inicial de cosméticos – Creme Hidratante para o Corpo, Creme Hidratante para as Mãos e uma Loção Facial.

São todos produtos naturais de origem vegetal, isentos de qualquer derivado petroquímico e que seguramente seriam certificados como cosméticos naturais por qualquer das entidades certificadoras de presença global.

A dificuldade de desenvolver uma linha de produtos deste tipo aqui no Brasil, em escala artesanal, é a disponibilidade e a qualidade das matérias primas. É muito difícil obter os componentes principais e os ativos cosméticos de qualidade e confiança. Muito tempo foi gasto na procura das matérias primas adequadas e que atendesse os objetivo de desenvolvimento dos produtos cosméticos.

dimensoes cosmeticos verde tituloOs objetivos estabelecidos para o desenvolvimento dos produtos foram fundamentados nas dimensões que são usados corriqueiramente para se medir a eficiência e eficácia de um cosméticos. Isso podem ser medidos em 6 propriedades fundamentais – nutrição, proteção, penetração, aplicação deslizamento e oleosidade. A meta é conseguir o máximo nas cinco primeiras propriedades e o mínimo na oleosidade.

Acredito que consegui alcançar essa meta através da criteriosa escolha dos óleos, dos ativos cosméticos e do sistema emulsificante, desenvolvendo os três produtos 100% natural, isento de qualquer produto derivado do petróleo.

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P1030827Estes produtos se encontram a venda na loja online.

Loção pós barba – bay rum golden

P1030845RevComplementando a linha de produtos para o barbear, uma loção pós barba tradicional a base de álcool de cereais e mistura de óleos essenciais que lembra o aroma classsico das antigas barbearias que, somado a um toque de Ron de Medellin 8 anõs extra-añejo, proporciona um produto diferenciado.

Produto 100% natural

P1030840Rev CutSe tiver interesse de compra visite a loja online.

Sabão de barbear – sândalo

P1030759No barbear clássico muitos preferem o sabão de barbear ao creme de barbear.
O sabão de barbear exige um pouco mais de trabalho para carregar o pincel e desenvolver a espuma. Este tempo gasto faz parte do ritual do barbear clássico e remete à época dourada das grandes barbearias. Ainda hoje são os produtos principais das centenárias e elegantes casas londrinas dos 3Ts – Truefitt and Hill,  G.F Trumper e Taylor Of Old Bond Street.
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Este recipiente de ceramica feita no Japão, serve para manter a barra de sabão de barbear em uso.

P1030779P1030774Esta é outra opção, uma ceramica feita na China de aspecto mais rústico.

P1030776P1030791Se tiver interesse de compra visite a loja online.

Reaproveitando o sabão – rebatch

P1030713Acumulei ao longo do tempo um monte de sabonetes que ficaram encostados aguardando um destino, e agora resolvi fazer um reaproveitamento – rebatch e doar os sabonetes para algumas instituições.

Tinha uma caixa cheia deles, a maioria embalados em celofane feitos em 2009 que acabei não comercializando, na época que eu vendia sabões, porque mudei a fórmula para um sabão mais duro e estes acabaram ficando.

P1030674P1030677O incrível é que esses sabões com quase 5 anos, estavam todos perfeitos, ainda com um acentuado aroma dos óleos essencias. Juntei a estes as contra-amostras dos lotes produzidos, alguns de testes que fiz, no total de 13 kg de sabão.

Primeiro passo é fragmentar as barras de sabonetes para facilitar o derretimento. Tentei com um moedor de carnes elétrico, mas não funcionou pois a maioria deste sabonetes tem uma composição de óleos predominante de insaturados (oliva) e portanto pegajosos, embora bem secos, que não flui pelo moedor.

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A alternativa foi ralar manualmente, um trabalho beirando a insanidade que demorou quase um dia inteiro para ralar, barra por barras, os 13kg de sabão.

P1030694Usei uma panela de cozimento lento (crock pot) para derreter e e fundir os sabões em uma massa única. Fiz em lotes de 2,5kg com adição de 10% de água.

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Como o sabão ralado ocupa muito volume cada lote de 2,5kg foi carregado em três etapas, demorando aprox. 3 horas cada processamento. O ultimo carregamento das raspas foi deixado fundir parcialmente para dar este efeito de aparas coloridas.

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Finalmente depois de quase um dia ralando os sabões e mais 15 horas de trabalho de rebatch, aqui estão as 100 barrinhas de 90g de sabonetes reprocessados.

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Uma incursão e um tributo ao azeite de Portugal

portuguese DOPEste post na verdade não é um tema de saboaria e sim um tributo caloroso que faço ao azeite de Portugal e a sua gente!
De uma análise técnica de saboaria, se converteu em algo mais amplo e importante que são os méritos e os benefícios do azeite para a saúde e bem estar das pessoas.

Sempre me incomodou algumas incertezas que advém qdo se fala do sabão 100% de azeite, o sabão historicamente chamado de sabão de castela, ou castilla ou castile. Esse sabão de Castilla dos reinados da Espanha, foi levado ao reino de Castilla pelos mouros lá pelo século XIII que por sua vez pegaram do sabão de Aleppo o ancestral pai e mãe de todos os sabões históricos, que na falta do óleo de bagas de louro, fizeram o 100% azeite. Mais ou menos duzentos anos depois esse sabão deu origem ao famoso sabão de Marselha.

Esse sabão de Castilla já nao existe mais faz muito tempo e o de Marselha está definhando, infelizmente. São processos a quente, o chamado full boiled, com salinização e retirada da glicerina. Hoje é feito artesanalmente por cold process, um processo totalmente diferente do que era feito, que produz sabão estruturalmente diferentes e mais frágil. Não temos testemhunho de como era o original Castilla, mas podemos referenciar o de Marselha, este nao baba e gelefica como o feito por CP.

Hoje em dia não existe saboaria industrial e nem artesanal mais evoluida que faça este tipo de sabao porque nao teria mercado. O sabao tem deficiências sobejamente conhecidas – pouca espuma e espuma miúda, fica mole quando molhado e no caso do artesanal (CP) baba muito qdo nao gelifica (dissolução). A falta de espuma farta e grande fez com que os fabricantes de Marselha começassem a colocar óleo de coco em tal quantidade que o rei de França baixou decreto estabelecendo o mínimo de 72% de oliva para continuar a ter denominação de sabão de Marselha. O artesanat de saboaria nos USA denomina esse castilla com coco, de Bastile, etimologia de bastard com castile.

Mas retomando ao o que comecei a dizer, me intriga o porque alguns saboeiros de Portugal afirmam que o sabao 100% azeite que fazem nao tem os defeitos mencionados e alguns só fazem este tipo de sabão. Resolvi analisar em certa profundidade para buscar o que chamo de elo perdido, se é que existe, do porque, a razão.

É bem simples, como é um sabão de um único óleo, o oliva, fica fácil trabalhar com essa única variável. A pergunta a buscar seria – a performance do sabão 100% azeite depende do azeite usado? Para responder essa pergunta fiz uma incursão ao mundo do azeite de Portugal. Fiquei encantado com o que descobri! Não em termos de utilidade para a saboaria mas bem mais amplo e importante, o mérito do azeite de Portugal para a saúde e bem estar das pessoas.

Sempre ouvi dizer da ótima qualidade do azeite de Portugal mas sempre levei com reserva este tipo de comentário porque a verbe nacionalista é sempre exacerbada e nem sempre corresponde à verdade.
Hoje falo com a maior tranquilidade que de fato o azeite de Portugal é o melhor do mundo! Não sou um conhecedor de azeite, nunca fui, mas na minha ótica química, analisando a constituição e a composição dos óleos de oliva, é possível inferir a qualidade e o impacto na saúde dos consumidores.

Portugal tem uma produção que corresponde a aproximadamente 2% da produção mundial e tem anos que não supre o consumo interno e a exportação, sendo necessário a importação. As oliveiras estão presentes na paisagem portuguesa por milênios, recente foi mostrado uma oliveira de 2450 anos de idades em terras alentejanas de Monsaraz e algumas outras de um milênio, no mesmo sítio.

Oliveira de 2450 anos em Monsaraz

Oliveira de 2450 anos em Monsaraz

Os fatores que afetam a qualidade do azeite são: a variedade, o estágio de maturação, condições ambientais, práticas de cultura, método de extração do óleo, etc, sendo o mais importante a variedade da oliveira. Em Portugal existem duas dezenas de variedades de oliveira sendo as mais importantes as que constam na tabela abaixo, produzidas nas 7 regiões DOP – Denominação de Origem Protegida, como mostrado na figura acima.

portuguese olive oil fa

Está mais do que provado em inúmeros trabalhos científicos que os ácidoa graxos monoinsaturados, no caso o ácido oleico (C18:1) fazem bem ao coração, somados aos efeitos do compostos fenólicos presentes no oliva. Todos os azeites portugueses destas DOP tem acima de 70% de ácido oleico, destacando a varidade Verdeal Trasmontana com mais de 80%. Aqui já temos o indício da excepcional qualidade do azeite português.

E agora, como fica em termos de sabão?
Existe uma diferênça significativa do teor de linoleico (C18:2), um ácido graxo poliinsaturado. A maioria das variedades possuem teores abaixo de 6% e somente as variedades Cobrançosa com 8 % e a rara variedade Madural com 13% ambos de Trás-os-Montes, tem reores acima dos 6%.
Minha análise não foi conclusiva pois carece de experimentações, e lanço aqui um desafio aos amigos portugueses – será que tem diferênças no sabão 100% azeite feito com azeite da variedade Cobrançosa versus um sabão feito com a variedade Verdeal, ou melhor, entre Trás-os-Montes e Alentejo?
Lembro que a poliinsaturação nos óleos compromete a dureza e está relacionado também a baba e gelificação ao contato com a água.
O fato inegável é que existe uma diferênça na composição dos ácidos graxos das várias variedades de oliva produzido em Portugal, resta comprovar se essa diferênça tem impacto ou não nas propriedades do sabão 100% azeite.

Interessante notar que nas calculadoras da Soapcalc e da Mendrulandia, o padrão estabelecido do teor de linoleico é de 12%, com certeza nao foi baseado no azeite português.

Alguém deve estar perguntado, mas como fica esse azeite português comparado com outros, por exemplo, o azeite produzido na Espanha?
Vamos ver a tabela abaixo:

olive oil fa composition wwSim, surpresa? Aqui está a comprovação de que o azeite de Portugal pode ser considerado o melhor do mundo!

Como referência de um olival e produção de azeite em Portugal, cito este que seguidamente vem ganhando premios internacionais e já ganhou o de melhor azeite do mundo, a Risca Grande, no Alentejo, em Beja. Uma empresa modêlo, com gestão moderna e estimulante, com práticas benchmark e um GMP exemplar:
http://www.riscagrande.com/

Obrigado a todos!

Sabão de óleo usado – carbonato de calcio

P1030287Rev TituloObservei que algumas inicitiavas de reaproveitamento de óleo usado com a produção de sabão, tanto de empreendedorismo individual quanto de ONG, usam o carbonato de calcio ou dolomita – minério de carbonato de calcio e magnésio.

Fiquei curioso porque a adição destas cargas onera os custos do produto e só justificaria se tivesse uma função muito específica. Pedi informações e como ninguém respondeu, resolvi fazer alguns testes.

sabao oleo usado caco3A fórmula usado foi essa. O corante base água de cor azul foi usado para a melhor visualização do teste.
P1030290tituloP1030291tituloPara medir a diferença na dureza do sabão foi improvisado este dispositivo que imita um aparelho de medida de impacto. Consiste de um tubo direcionador, de 1 metro de altura por onde é  lançado uma haste de aço com 15g de peso. Por gravidade esta haste percorre o tubo direcionador e penetra na massa de sabão. A dureza é medida pela profundidade de penetração (mm).

impactoO sabão ficou secando 25 dias antes do teste de dureza e ambos, o com e o sem carbonato, tiveram o mesmo valor de dureza de 6 mm.

P1030303O teste de formação de espuma foi feito com um pincel de barba friccionado de modo padronizado no sabão para desenvolver a espuma. Não foi notado nenhuma diferênça. O comportamento do sabão molhado também foi identico, formando a ”baba” característica deste tipo de sabão.

Para testar a oxidação (rancidez) do sabão, estes foram deixados ao lado de uma janela de vidro exposto ao sol direto da manhã por 10 dias.

P1030453textDiferênça significativa, o sabão com carbonato de calcio tem muito melhor resistência a oxidação.

Conclusão:
Pelo que foi testado só podemos dizer que o carbonato de calcio melhora a resistência à oxidação deste tipo de sabão que é muito propenso a rancificar.
Acredito que não seja esse o principal motivo de usar dolomita ou carbonato de calcio no sabão de óleo usado, mas infelizmente não consegui ter mais elementos que pudessem justificar o seu uso. Lamento também que as pessoas que usam este tipo de carga não divulgem os méritos de se fazer isso, de tal modo que justifiquem o penalti nos custos, todos sairiam ganhando.

Sabão de óleos medicinais – neem, andiroba e copaíba

P1030481 textA saponificação a frio, o cold process, é um modo simples e fácil de fazer sabão, mas tem seus inconvenientes. A incorporação de qualquer aditivo, aromas e ativos só podem ser feitos na presença da soda cáustica, isto é, todos esses componentes estão presentes no ambiente da reação de saponificação dos óleos. Este ambiente de forte alcalinidade não poupa quase nada, literalmente destroi muitos princípios ativos de muitos componentes.

P1030493Existe uma crença equivocada de que a adição de ativos no trace preserva esse ativo do ataque da soda porque no trace a maioria da soda já foi consumida. Engano, no trace somente aproximadamente 10% de soda foi consumida para formar a emulsão (trace), o restante continua lá e vai reagir da mesma forma. Deste modo o conceito de superfatting (SF) é também equivocada quando se pensa que aquele determinado óleo, normalmente um óleo nobre, vai ficar íntegro dentro do sabão. O que acontece, se existe um excesso de óleo (ou redução de soda) é que ao final da saponificação vai ficar uma mistura de óleos que fazem parte da composição de óleos da fórmula e não aquele determinado óleo que foi adicionado no trace.

P1030496 textP1030500Deste modo não tem muito sentido apregoar certo ditos de eficácia, por exemplo, de sabões terapêuticos feitos com óleos medicinais como o óleo de Neem feitos por cold process. Os componentes do Neem depois da saponificação já nao existe mais, vai existir os sais de sódio do ácido graxos palmítico, esteárico, oleico e linoleico, componentes do óleo de Neem,  uma composição quase invariável da maioria dos óleos vegetais. Alguém pode argumentar, por exemplo neste caso do Neem, que certos componentes não reagem com a soda e permanecem intactos, mas isso carece de comprovação científica, mesmo porque o teor de insaponificáveis do Neem é zero.

P1030502P1030508O melhor modo nestes casos, é mudar o process de cold process para hot process. No hot process a adição dos ativos é feita ao final da saponificação a quente o que preserva integralmente os componentes.

P1030510P1030512Foi o que foi feito com estes três sabões de óleos medicinais – Neem (Azadirachta indica), Andiroba (Carapa guianensis, Meliaceae) e Copaíba (Copaifera spp., Leguminosas)

P1030513A fórmula básica é:  Oliva/Palmiste/Palma/Mamona – 45/25/25/5, um SF de zero, concentração de soda de 30% e 7% sobre óleos dos óleos medicinais.
Aroma, neem – folha cedro e citronela, andiroba – citronela, patchouli e petigrain, e copaiba – eucalipto estageriana e eucalipto globulus

P1030517As propriedades terapêuticas destes óleos são:
Óleo de Neem – fungicida, antibacterianas, antiviróticas e inseticida dermatológico Óleo de Andiroba – antiinflamatório, cicatrizantes e insetifugas, fortalecedor dos cabelos.
Óleo Resina de Copaíba – antiinflamatório, cicatrizante, antibacterianas.

O processo usado foi o Hot Process com Agitação Contínua – HPAC.

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Hot Process com Agitação Contínua – HPAC

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Na pequena localidade de Fontevraud L’Abbaye, no vale do Loire na França, existe desde 1974 a renomada saboaria artesanal, Savonnerie Martin de Candre. Desde a sua fundação a 40 anos, a saboaria Martin de Candre (MdC) se dedica a produzir produtos da saboaria artesanal de excelente qualidade usando, como eles afirmam, o clássico processo do sabão de Marselha.

O sabão (creme) de barbear da Matin de Candre é considerado o melhor do mundo, eles tem uma linha de sabão de marselha (para limpeza) com oliva, coco e palma,  uma linha que chamam de huile de palme que é feita com oliva, coco e palma e uma terceira huile d’olive, só com oliva e coco.

Todos estes produtos tem um preço premium que varia de 9 a 16 euros para as barras de sabão e o de barbear chega a custar 23 euros um potinho de 50 gramas.

Eles alegam que fazem o processo do sabão de Marselha que é um processo full boiling onde o sabão é lavado com solução salina e a glicerina é retirada. Na realidade a MdC faz um hot process artesanal bem convencional, que usa um agitador mecanico para mexer a massa durante a saponificação e o tamanho do lote é inferior a 25kg. Isso pode ser visto nas poucas fotos no site deles e também de um video reportagem produzido por uma tv francesa.

Mas o que me chamou a atenção foi o procedimento deles de secar durante 8 meses os sabões e por 5 meses o de barba! Intrigante pois no hot process o sabão já sai saponificado e portanto seguro e que uma secagem de 15 dias é suficiente para ter a dureza necessária para um uso duradouro. Um sabão feito por cold process fica pronto para o uso em cerca de 20 dias. Aí vem a pergunta, por que fazer um processo mais complexo, demorado e caro que é o hot process, se posso fazer o cold process, muito mais simples, rápido e mais barato? Afinal se deixar por 8 meses um sabão feito por hot ou cold, teoricamente eles teriam a mesma performance. É claro que o hot process tem a vantagem de poder incorporar componentes sensíveis ao meio alcalino apos a saponificação, o que preserva estes componentes, coisa que no cold process nao seria possível.

Resolvi elaborar um teste para comparar as propriedades de um sabão feito por cold process e o mesmo feito por hot process e também comparar a influência que tem o tempo de secagem na performance do sabão, nos dois processos.

Hot Process com Agitação Contínua – HPAC

Um hot processs artesanal normalmente é feito usando-se como fonte de aquecimento um banho-maria ou uma panela elétrica de aquecimento lento (crock pot), e a massa é homogenizada manualmente de tempos em tempos para possibilitar uma saponificação abrangente.

Para manter o processo mais parecido com o hot process da Martin de Candre, acabei por montar um sistema que chamei de Hot Process de Agitação Contínua – HPAC. Obviamente nao é uma inovação, mas em escala artesanal nao vi ninguém usar um sistema parecido.
Deste modo, de um teste comparativo entre sabões produzidos por dois processos distintos, acabou derivando para a elaboração de um terceiro modo de se fazer um hot process que é o HPAC.

P1030403revEste é o setup do equipamento para fazer o HPAC – um aquecedor elétrico (este é um agitador magnético de laboratório), um agitador mecânico (usado um com controle digital da rotação) e um termômetro digital.

Aqui está um vídeo que fiz que mostra o HPAC para fazer o sabão de benzoim (12 minutos):

http://www.youtube.com/watch?v=wQc9vjrkDdk

Teste dos Sabões

A Martin de Candre na sua linha palma tem um sabão de mel e um de benzoim (Styrax tonkinense), e foram feitos um simlilar a esses para o teste.
A composição de óleos do sabão foi: oliva/palmiste/palma – 60/25/15, SF de 5% e concentração de soda de 30%. O teste comparativo será feito com o de mel e o de benzoim foi feito para confirmar e otimizar o processo HPAC. Não é possível fazer um cold process normal com o de benzoim devido a necessidade de diluir o óleo resina de benzoim com etanol, o que daria o defeito de seizing na massa.

P1030321Na esquerda o sabão de mel feito com HPAC, o outro por cold process convencional.
A cor do col process é escura devido a carbonização de parte do açucar do mel pela soda.

P1030334Os dois blocos de sabão de mel desenformados, de 3,5kg.

P1030342Corte de acabamento da superfície do sabao de mel por hot process com agitação contínua utilizando o Cortador Flex.

P1030344Duas barras de 305 x 80 mm.

P1030351Acabamento do topo da barra.

P1030353As duas barras acabadas nas dimensões de 305 x 80 x 60 mm.

P1030362Corte das barras individuais utilizando o Cortador Flex.

P1030364Corte com precisão do Cortador Flex.

P1030366P1030369P1030374Todas as barras individuais de 80x60x30 mm, 135 gramas.

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Corte do bloco de sabão de mel feito com cold process.

P1030384P1030390Todas as barras do sabão de mel CP, 90x60x25 mm, 130 gramas.

P1030394Os dois sabões que serão utilizados na comparação entre CP e HP.

Sabão de Benzoim feito por Hot Process com Agitação Contínua – HPAC

P1030417Este sabão foi feito para confirmar e melhorar o processo HPAC.

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Savonnerie Martin de Candre: http://savonnerie-martin-de-candre.com/fr/

Um ano de aniversário do blog

post all ptEstá completando um ano da publicação do meu blog.
Posso falar com muito orgulho que é um blog de sucesso, os números apontam isso! Uma frequência extraordinárias de 116 mil visitantes, 520 mil views, o acesso provenientes de 130 paises, de 1000 cidades espalhadas pelo mundo. O número expressivo de 35 mil downloads dos arquivos disponibilizados.

Creio estar atingindo o objetivo proposto de compartilhar o que eu sei e muito satisfeito por estar alinhado com o meu lema – “Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Cora Coralina).

Espero que tenha sido útil, que tenha possibilitado uma altenativa de uma atividade nova, que tenha agregado valor para todos que acessaram e puderam de algum modo apreender algo.

Agradeço imensamente a todos os visitantes e convido-os a retornarem.

Muito obrigado!

outros dados ptTodos os comentários foram respondidos.

downloadsOs downloads mais populares dos arquivos disponibilizados

estatistica 2013 pt

 

Sabão de óleo usado – perigo das fórmulas que estão por aí!

É um problema recorrente estas fórmulas de sabão de óleo usado que se encontram na internet. A atitude de reaproveitar o óleo usado de frituras para fazer sabão é louvável, a natureza agradece,  e muitas vezes é uma renda suplementar de muitas famílias e de ONG.

A maioria das fórmulas que estão disponibilizadas tem um excesso muito grande de soda, tornando o produto perigoso. Vamos pegar como exemplo este video que foi colocado num post do grupo Saboaria:

Esta fórmula do vídeo tem um excesso brutal de 46,8% de soda, tornando este sabão inseguro para o uso, vai atacar a pele das mãos e se for usado para lavar roupas, vai acabar com o tecido, diminuindo sua vida útil.

É incrível como as pessoas e instituições desconhecem um simples cálculo de saponificação, o cálculo para determinar a quantidade de soda necessária para fazer o sabão. Tenho atendido muitas solicitações de pessoas e notadamente de ONG que tem sua fábrica de sabão que os clientes reclamam da agressividade do sabão e inclusive os próprios operadores destas pequenas fábricas também reclamam do manuseio do sabão durante o processo. que queimam a pele e destroem as roupas.

A Anvisa (orgão regulamentador no Brasil) estabelece para um sabão o máximo de pH de 10 e o controle da alcalinidade é feita pela determinação do teor de óxido de sódio que deve se no máximo de 1%.
Um professor que estava montando um projeto para uma ONG no estado do Espírito Santo me procurou dizendo que nao conseguia atender as especificações da Anvisa, seu pH era de 12,4 e o teor de óxido de sódio estava em 2,4%, muito superior ao máximo permitido de 1%. Analisando a fórmula, estava com um excesso de 28% de soda!
Imagina essa fórmula do vídeo, deve estar com pH de 13 e teor de óxido de sódio de pelo menos 4%.

O cálculo para saber a quantidade de soda (pureza mínima de 97%) é simples e elementar. Não importa qual óleo usado que você vai usar, o normal é vc coletar óleo de fritura de uso doméstico e esse invariavelmente vai ser, soja, canola, oliva ou girassol. Pois bem, o índice de saponificação (determina a quantidade de soda necessária para reagir com o óleo) destes óleos são muito semelhantes: 0,136, 0,133, 0,135 e 0,135g de soda para cada grama de óleo, respectivamente.
Podemos utilizar o valor de 0,136g para todos estes óleos e as suas misturas, independente da composição da mistura.

O cálculo é assim: quantidade de óleo em gramas x 0,136 = quantidade de soda necessária.

No caso da fórmula do video ficaria: 5000g x 0,136 = 680g de soda. Para essa quantidade de óleo de 5Kg está sendo usado 1kg de soda e daí o excesso perigoso de 46,8%. Para esses 1 kg de soda seriam necessários: 1000g/0,136g = 7353g de óleo.

A quantidade de água para diluir a soda, para fazer a solução de soda, pode variar de 30 a 50%, sendo que nas concentrações mais elevadas, por ter menos água, o sabão endurece e seca mais rápido e a reação de saponificação é tb mais rápida.
Na fórmula do video a concentração está a 50% (1kg de água para 1kg de soda).

Voces podem observar que a senhora diz, ingenuamente, que o sabão dela à medida que vai secando vai se tornando mais branco! O excesso de soda é tão grande que à medida que envelhece, vai se formando a “soda ash”, a cinza branca da soda que nada mais é do que a reação da soda superficial com o gás carbonico da atmosfera, formando o carbonato de sódio, branco.

O álcool é solvente do sabão e portanto neste caso vai acelerar a formação do traço, mas isso é agregar custos desnecessário, pois uma agitação vigorosa e prolongada tem o mesmo efeito.

Se preferirem pode ser usado uma calculadora de sabão para fazer os cálculos, como nesse caso com o Soapcalc:
sabao caseiro fundo social tatui

Sabão batido – whipped soap

 

P1030182P1030183Em 2007 um saboeiro de nome Nizzy (Terry Nisbet) da Austrália, popularizou um modo diferente de fazer sabão, que consiste em bater os óleos sólidos em uma batedeira de cozinha, dessas de fazer bolos ou bater o creme chantilly. A idéia é incorporar ar na massa de óleos saturados (sólidos),  acrescentar os óleos insaturados (líquidos), adicionar a soda e depois as fragâncias e os aditivos. O processo é um cold process normal feito na temperatura ambiente e com a diferênça na fase de incorporar o ar com a batedeira.

O fundamental da formulação é ter uma proporção de pelo menos 80% de óleos sólidos (saturados) que podem ser: palma, babaçú, palmiste, manteiga de cacau, manteiga de karité, cupuaçu, ucuúba, etc, e 20% de qualquer óleo insaturado (líquido) para dar as propriedades condicionadoras ao sabão.

Todo o processo é feito na temperatura ambiente ou mais frio, costumo fazer a uns 10 a 15ºC  pois eu derreto os óleos sólidos para misturar bem e depois coloco na geladeira para solidificar. O importante é manter os óleos sólidos, caso contrário não é possível bater para virar um creme aerado. Essa aeração faz com que esse tipo de sabão quando colocado na água, não afunda, ele flutua. Também tem maior volume por peso devido a oclusão de ar. Como o cold é feito à baixa temperatura, a saponificação é lenta e dificilmente ocorre a fase gel. O ar ocluido também retarda a saponificação e permite com isso um tempo maior para fazer o sabão. Costumo dizer que o sabão batido é ótimo porque não precisa de correria, não tem afobação, nao tem o ponto de trace, é o sabão sem stress!

OP Sabao Batido Whipped Padrao Blog 520pxAqui a fórmula com as instruções do processo.

P1030109No sentido horário, os pigmentos usados como colorantes, dispersos em 10g de glicerina vegetal, a mistura de óleos essenciais, a solução a 28% de soda que foi resfriado a 10ºC, a mistura de oliva e mamona e o saco plástico com os óleos sólidos que foram derretidos e depois mantido por 2 horas na geladeira para solidificar parcialmente.

P1030111A mistura de óleos sólidos parcialmente solidificados.

P1030112Inicio de incorporar o ar usando uma batedeira muito simples (made in China) mas barata, versátil e robusta, permite usar uma ou duas hastes e também pode ser destacado do suporte e seguro pela mão, o efeito planetário é obtido girando o bowl com as mãos.

P1030118Depois de aproximadamente 10 minutos batendo em velocidade alta o aspecto é esse, parecido com um creme areado.

P1030124É o momento de adicionar a mistura de óleos insaturados, lentamente para evitar ao mínimo a diminuição da aeração.

P1030127A soda é adicionada bem lentamente e com cuidados para evitar respingos para fora do recipiente. Se nota o aumento de volume devido ao ar ocluido.

P1030128Depois da adição da soda a massa é batida por mais 10 minutos em media, isso garante uma boa mistura da soda com os óleos e nem se percebe o traço por causa da aeração.

P1030130Adiciona-se os óleo essenciais lentamente para nao derrubar a aeração

P1030132No caso eu dividi a massa em três partes para colorir com os pigmento branco, vermelho e azul.

P1030134Foi usado a técnica do swirl de colher. Como a reação é muito lenta, não há a preocupação de fazer rápido porque, diferente do cold normal onde o tempo é fator fundamental, no sabão batido a viscosidade da massa se manter por um bom tempo sem se modificar.

P1030141Swirl finalizado e pronto para ficar 24 horas para ser desmoldado.

P1030149O bloco tirado do molde depois de 24 horas. A evolução de calor da saponificação somente ocorreu depois de 12 horas do inicio do cold process, uma saponificação bastante lenta.

P1030154 RevP1030158O bloco posicionado no novo cortador múltiplo (este é ainda um protótipo, em breve estarei vendendo este cortador e um outro tipo).

P1030165Cortados 12 barras de sabao.

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Sabão do coco 100% para corpo & banho – pronto

P1020987 RevDepois de 3 semanas secando ficou pronto o sabonete de coco 100% para uso no corpo. A dúvida que tínhamos era se este sabão com superfatting de 20% para deixa-lo apropriado para uso no corpo, neutralizando um possível efeito de ressecamento da pele, fosse realmente um bom sabão para corpo e banho.
Já usei três dias seguido este sabao no banho e posso dizer que é sensacional, dos melhores sabões que já fiz/usei! Não resseca a pele, deixa uma sensação de pele tratada com um creme ou óleo, um aveludado muito agradável. Isso porque os 20% de excesso de óleo de coco é realmente um superfatting verdadeiro.
Todas as demais propriedades são excelentes, tem ótima dureza, e a espuma é fantástica! O óleo essencial de Massoia é muito bom, tem um poder de aromatizar fabuloso, aquele cheiro de coco fresco!
Cada pele é uma pele e não se deve generalizar, para mim foi muito bem, gostei muito, pode ser que nao vá tão bem em outras pessoas, mas de qualquer modo recomendo fazer este sabão.

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Sabão de coco natural – pronto! / Natural coconut soap – ready!

P1020965 RevP1020974Depois de três semanas está pronto o sabão de coco para uso na limpeza geral da casa, na cozinha e principalmente para lavar roupas.
After three weeks the coconut soap is ready for use in general cleaning of the house, especially the kitchen and for washing clothes.

etiquetas sabao cocoEsta é a etiqueta dos sabões, são 4 sabões identificados pela cor do + (mais) e foram impressos em papel reciclado.
This is the label of soaps, are 4 soaps identified by the color of the + (plus) and were printed on recycled paper (sorry, in portuguese only).

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Sabão de óleo usado – pronto! / Used cooking oil soaps – ready!

P1020953P1020956 RevAqui estão os sabões de óleo usado depois de quatro semanas secando, etiquetados e prontso para serem distribuidos  e usados.
Here are the used oil soaps after four weeks of drying, labeled and ready to be distributed and used.

etiquetas sabao usado 520Esta é a etiqueta dos sabões, são 6 sabões identificados pela cor do + (mais) e foram impressos em papel reciclado.
This is the label of soaps, are 6 soaps identified by the color of the + (plus) and were printed on recycled paper (sorry, in portuguese only).

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