Introdução

Índice:

  1. História
  2. Saboaria artesanal
  3. Água e outros líquidos
  4. Álcalis
  5. Óleos
  6. Propriedades dos óleos
  7. Índice de saponificação dos óleos
  8. Cálculo do sabão
  9. Calculadora de sabão
  10. Óleos essenciais
  11. Aditivos
  12. Fornecedores
  13. Referência bibliográfica

História 

Quando se fala de sabão e saboaria sempre se começa com a história do sabão. A internet aloja dezenas destas história, como tudo começou. Algumas muito fantasiosas e outras que fazem sentido. Tudo remonta à milhares de anos atrás, a última que lí fala de 2800 a.C. na Mongólia! Coitado do Plinio, o Velho, na Roma antiga e a sua Naturalis Historia, se soubesse que tinha gente fazendo sabão a tão longo tempo.

O curioso é que a origem da palavra sabão e a data e as circunstâncias da sua descoberta não são conhecidas com precisão. Muitos estudiosos acreditam que a descoberta foi acidental e o nome é atribuido à uma lenda Romana. O fato é que a palavra sabão é semelhante em várias línguas: Sapone (italiano), Savon (francês), Seife (alemão), Saippua (finlândes), Szappan (húngaro).

Simmons e Appleton no livro clássico Soap Manufacture, de 1908 citam na introdução, que o uso do sabão poderia ser uma medida da civilização de uma nação. É claro que isso é uma afirmação do início do século 20 e revestida de uma dose de discriminação. O fator fundamental é a higiene pessoal. O sabão ajudou no processo de conscientização do bem estar pessoal através do ritual diário de higiene, do banho. O execpcional sabão de Aleppo, produzido na cidade de mesmo nome na Síria, feito de oliva e óleo de louro, tem história desde os anos 1100, era das cruzadas, o movimento paramilitar cristão. Como se desenvolveu e prosperou esta saboaria na cidade de Aleppo, que se manteve de geração a geração até os tempos atuais? Quem eram os clientes do sabão de Aleppo? Os cruzados eram os clientes. Sim, os cruzados, por mais de um século, na longa viagem da Europa para a Terra Santa, paravam em Aleppo para se lavar, para fazer a higiene usando o sabão de Aleppo, antes de seguir e entrar em Jerusalém.

Se dermos uma olhada  no estudo da higiene e bem estar dos seres humanos, vamos nos deparar com três palavras que são representativas das dimensões históricas da evolução. Limpeza, pureza e higiene,  empilhadas umas sobre as outras contam a história da evolução, deste os ancestrais da era Neolítica que já adoravam a boa aparência, a ordem e a beleza,  até os tempos recentes.  O primeiro extrato, a base,  que é a limpeza, constitui o que é o lado humano e animal de todos nós, é o instinto associado até à sobrevivência. Pureza constitui algo que foi feito, fabricado pelo homem desde os tempos remotos, como uma psicologia que produziu certas religiões refinadas ou sobrenatural, ideologias de divina perfeição que foram impostos à  nossa natureza animal e ao mundo material. Higiene deriva dos Gregos clássicos para caracterizar o bem estar humano no intuito de  preservar e prolongar a vida.
Um único produto alinhado e associado intimamente com limpeza, pureza e higiene, é o sabão. Como diz o mestre Marcus Siviero – “o sabão nosso de cada dia”.

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Saboaria artesanal

Por uma questão de esclarecimento, defino aqui o que considero saboaria artesanal. São todas as atividades feitas sem emprego de máquinas, onde um sabão na forma sólida ou líquida é produzida a partir dos componentes primários, que são os óleos e os álcalis, por meio de uma reação química de saponificação. Pratico o que é denominado saboaria artesanal natural e vegetal, isto é, não emprego nada de origem animal, excessão à poucos componentes tais como a cera de abelha e o leite de cabra, e obviamente, nada de derivados petroquímicos.
Importante salientar que as atividades com o uso das bases glicerinadas, muito popular, é uma forma de artesanato em sabão e não saboaria artesanal.
Como se pode ver no tópico sobre Química, o produto da reação de saponificação é o sabão e a glicerina. Na industria saboeira a glicerina é retirada do processo (by-product) por ter tido um alto valor comercial, mais do que o produto primário, o sabão, e vendido como matéria prima da industria química. Todo o maquinário industrial de processamento do sabão foi projetado com esse princípio de retirada da glicerina.
Na saboaria artesanal toda a glicerina produzida na saponificação é mantida no sabão o que confere aos produtos artesanais propriedades de umectação/hidratação à pele, características da glicerina. Isto não acontece com os produtos industriais que tendem a ressecar e agredir a pele mais sensível. A diferênça é notável!
Irônicamente, hoje com um excesso de glicerina no mercado devido ao aumento da produção de biodiesel, que também produz glicerina por transesterificação, a industria corre para rever seus processos mas o estado da arte da tecnologia e os custos não facilitam este trabalho.

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Matérias primas

Água e outro líquidos 

A água é o líquido mais comumente usado para fazer o sabão. Pode ser usado a água destilada ou a água tratada, potável, da torneira. O leite de cabra é usado quando se quer fazer um sabonete de leite de cabra. Outros líquidos usados são a cerveja e mesmo o vinho para fazer sabonetes exóticos.

Álcalis

São usados o hidróxido de sódio (NaOH) conhecido como soda ou soda cáustica quando se quer um sabão duro e o hidróxido de potássio (KOH) conhecido como potassa quando se deseja um sabão mais mole ou líquido. Ambos são produtos químicos controlados e por isso existe uma limitação de quantidades que podem ser comprados por mês pelas pessoas físicas. O controle é mais rigoroso na potassa.
Compre, principalmente a soda, de fornecedores idôneos por que existe adulteração, principalmente com cloreto de sódio, o sal de cozinha. Use o que tem concentração mínima de 97%.

Óleos

Existe uma infinidade de óleos e gorduras que podem ser usados na elaboração de um sabão. Teoricamente qualquer óleo de origem vegetal ou animal poderia ser usado pois todos possuem ácidos graxos na sua constituição que reagem com os álcalis gerando o sabão. A escolha dos óleos está condicionada às propriedades que se deseja do sabão. O Brasil é um país previlegiado com as variedades únicas dos óleos da Amazônia, a maioria com propriedades medicinais. Andiroba, copaíba, cupuaçú, buriti, castanha do pará, murumuru, fazem parte deste elenco magnífico de óleos.
Os óleos básicos, aqueles que são mais utilizados são: oliva, mamona, girassol, canola, côco, babaçú, palmiste, palma . Estes óleos possibilitam a estrutura fundamental para formulação do  sabão, otimizando as suas propriedades. Os óleos que conferem características especiais, os chamados óleos modificadores, os mais utilizados são: jojoba, karitê, amêndoas doce e cacau.

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Propriedade dos óleos

As propriedades de um óleo que conferem características ao sabão são dadas pela composição dos ácidos graxos constituintes de cada óleo. Na tabela abaixo estão a composição dos ácidos graxos e suas propriedades para os principais óleos utilizados na saboaria.

A propriedade condicionadora da pele se refere principalmente às características de emoliência  e humectação. Agente emoliente é o que atua como um lubrificante para a superfície da pele, conferindo à pele maciez e lisura. Agente humectante é o que atua aumentando o conteúdo de água na camada superior da pele, pela captura da umidade do ar circundante.

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Óleo de palma e palmiste

Uma dúvida recorrente sobre os óleos diz respeito ao óleo de palma. Muitos tem dúvidas o que é o que na profusão de óleo de palma que se encontram no mercado.  Palma, dendê, palma bruto, palma refinado, oleina de palma, estearina de palma, palma orgânico, palmiste, são as denominações referentes aos óleos obtidos dos frutos da palmeira Elaeis guineensis, também conhecido como dendezeiro. A Elaeis guineesis é nativa na região tropical, aproximadamente 10 graus acima e abaixo da linha do equador. No Brasil, na região amazonica, com grandes áreas de cultivo nos estados do Pará, Amazônia e em menor escala na Bahia

Elaeis guineesis

Os maiores produtores são a Indonésia, Malásia, Nigéria e Colômbia. O Brasil ocupa a posição de 13° produtor mundial

Fruto da Elaeis guineesis, palmeira de palma

Uma característica peculiar do fruto do dendezeiro é que ela produz dois tipos de óleo: da polpa (mesocarpo) é extraido o óleo de palma e da semente o óleo de palmiste (PKO – palm kernel oil). A composição de ácidos graxos destes óleos são completamente diferentes. No óleo de palma predominam o palmítico e o oleico e no palmiste, o laurico e o mirístico, sendo este muito semelhante ao côco e côco de babaçú.

A polpa e consequentemente o óleo de palma bruto, tem uma cor amarelo a laranja-avermelhado atribuida à quantidades de carotenóides no fruto e também ao nível de oxidação que a fruta sofreu ao ser mantida estocada antes de ser processada.

Beneficiamento dos frutos do dendezeiro: extração e refino

Extração

O processo de extração tipicamente segue um fluxo como o desenhado acima. O produto final da extração é o óleo de palma bruto, com sua característica cor avermelhada e as amêndoas do frutos que ficam preparados para a extração do óleo de palmiste numa etapa posterior. Este óleo de palma bruto de cor avermelhada, é o que é chamado de azeite de dendê, muito usado na culinária regional baiana. O Brasil e alguns paises da África são os únicos que usam o óleo de palma bruto na culinária.

Óleo de palma bruto rústico (oleina + estearina)

O azeite de dendê é formado por duas principais frações: oleina, a fração líquida e a estearina, a fração sólida. Em temperatura ambiente de 25°C as duas frações coexistem separadamente. É fácil separar a oleina da estearina com um simples processo de fracionamento com variação de temperatura.

Óleo de palma bruto mais elaborado, predominância de oleina

A quantidade de carotenóides (como beta-caroteno que atua na prevenção da carência de vitamina A) presentes no óleo de palma bruto variam de 500 a 2500 μg/kg de acordo com o grau de maturação e do genotipo do fruto do qual é extraído.

O óleo de palma bruto possui ainda os chamados constituintes menores que podem ser ácidos graxos, fosfatídios, ésteres, álcoóis alifáticos, tocoferóis, pigmentos e traços de metais. Grande parte destes constiuintes podem ser eliminados com o refino do óleo de palma.

Muitos azeites de dendê a venda em casas de artigos nordestinos são provenientes de pequenos produtores no estado da Bahia, das cidades de Nazaré e Valênça. A característica mais marcante da produção deste óleo de palma bruto é o seu modo rústico de extração através de prensagem nos chamados “rodões” de pedra, um processo rudimentar, onde não se observa cuidados com os frutos no momento da colheita e transporte o que acaba ocasionando uma grave acifificação do óleo., o que reflete na alta heterogenidade do produto.

Refino

 

Existem dois processos para o refino do óleo de palma. O processo mais recente que é o físico, é altamente eficaz e de custo menor. O processo alcalino usa hidróxido de sódio na neutralização e é um processo em desuso para produção em larga escala.

Óleo de palma refinado (RBD)

O produto final é o óleo de palma refinado denominado internacionalmente como Palm Oil RBD (Refined, Bleached and Deodorised), Óleo de Palma RBD (Refinado, Branqueado e Desodorizado).

Após o processo de refino o óleo de palma pode sofrer um fracionamento por meio de cristalizaçao com temperatura controlada resultando em uma fase líquida, chamada de oleina de palma e uma fase sólida, chamada de estearina de palma. A oleina é usada em frituras industriais e a estearina em fritura à altas temperaturas e também como margarina vegetal e shortening com a vantagem de não precisar de hidrogenação (ausência de gordura trans).

 Extração do óleo de palmiste

A extração segue o fluxo acima e é um processo físico, sem uso de solventes.

Óleo de palmiste (PKO)

O óleo de palma e a saboaria artesanal

Com seu alto conteúdo de palmítico o óleo de palma confere ao sabão a dureza ideal. Com excessão da manteiga de cacau e a manteiga de karité, que contém altas quantidades de esteárico e palmítico, o palma é o único óleo que possibilita, à um custo razoável, obter uma boa dureza ao sabão.

Técnicamente qualquer forma de óleo de palma pode ser usado para fazer sabão. Veja na tabela acima que não existem diferênças significativas na composição e o IS são todos iguais. (Obs. a oleina e a estearina da tabela são RBD).

Saliento entretanto que fiz dois lotes com palma bruto (oleina + estearina) usando dois óleos de marcas diferentes, comprados em lojas de artigos nortestinos e em ambos, depois de um certo tempo, apareceram spots brancos na superfície do sabão. Este defeito é conhecido como DOS – dreaded orange spot, que é ocasionado pela oxidação do óleo. Esta oxidação provavelmente é ocasionada pelos constituintes menores que me referi acima, presentes no óleo bruto e também pelo processo rudimentar e falta de cuidados na extração. O sabão feito com o azeite de dendê tem sempre uma cor amarelo clara cuja intensidade depende da quantidade usada.

A estearina de palma por seu alto ponto de fusão (acima de 50°C) pode se tornar inviável no processo cold pois temperatura do processo teria que ser muito alta.

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Índice de saponificação dos óleos

Todos os óleos possuem um índice de saponificação (IS), que é a quantidade em mg de hidróxido de potássio (KOH) que reage com uma grama de óleo. Este IS é importante na formulação do sabão porque através dele é possível calcular, para uma dada quantidade de óleo, a quantidade de álcalis necessários para a reação.

Abaixo está uma tabela com o IS dos principais óleos utilizados na saboaria:

 Cálculo do sabão

Vejamos com o exemplo abaixo, como se calcula a quantidade de soda necessária para uma determinada quantidade de uma mistura de óleos para fazer o sabão.

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 Calculadoras de sabão

Para facilitar o cálculo do sabão existem as calculadoras de sabão. Na internet estão disponíveis várias opções. A que costumo usar é a da Majestic Mountain Sage, bem fácil de usar.

Primeiro você preenche os dados da sua formulação (Recipe Title), o seu nome (Created by). Escolhe a unidade de medida, no nosso caso é grama (grams), o tipo de álcali. Caso você esteja usando uma solução de álcali, preencha a concentração (Liquid Lye Solution).

Vá na tabela de óleos e preencha a quantidade no campo em frente de cada óleo escolhido e clique no pé da página para calcular (Calculate Lye).

O resultado aparece nesta página. No campo (Lye Table NaOH) está o resultado da quantidade de soda necessária. No lado direito (% excess fat) 0 (zero) significa nenhum excesso de óleo e 10, significa 10% de excesso de óleo. É bom trabalhar sempre na região verde. Eu costumo trabalhar com 5% de excesso de óleo. Isto é assim por medida de segurança.  Com excesso de óleo você sempre terá um produto dentro de uma faixa segura de alcalinidade, de pH. Na quantidade de líquido (Liquids) tem uma faixa de trabalho. Costumo usar, para 100 gramas de óleos, 32 gramas de água. Lembrando que quanto maior a quantidade de água, maior é o tempo para se obter o trace, e o sabonete demora mais para secar.

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 Óleos essenciais

É quase mandatório o uso de óleos essenciais para a fragância do sabonete por cold process. As essências, que são produtos sintéticos, não funcionam no cold por conter álcool que ocasiona o que é chamado “seizing”. A massa de sabonete desanda e a reção acelera rapidamente impossibilitando o seu manuseio e a colocação no molde. Os óleos essenciais são muito caros, chegam a representar de 35 a 60% do custo de um sabonete cold. A quantidade que uso normalmente é de 6% sobre os óleos. No hot process é possível o uso de essências pois a adição da fragância é feita ao final da saponificação. Também no hot é possível diminuir a quantidade de óleos essenciais.

 Aditivos

Os aditivos são os componentes que tem uma função bem específica no sabonete e normalmente são usados em pequenas quantidades. Podem dar cores com os pigmentos e argilas, evitar a oxidação com os anti-oxidantes naturais, reduzir o pH com ácidos naturais, etc.

Colorantes

Três características devem ser consideradas na escolha de materiais para dar cor aos sabonetes feitos por cold process. Os materiais colorantes devem, em primeiro lugar, serem inertes à pele, isto é, não devem provocar nenhuma reação adversa em contato com a pele. Devem ser resistentes ao meio alcalino da reação de saponificação do cold process e devem ser resistentes à luz, não devem desbotar e perder a cor quando o sabonete é exposto à luz.

Para atender o primeiro requisito, a melhor opção é usar os materiais aprovados pelo FDA (Food and Drug Adminstration) americano para uso em cosméticos. Associando este primeiro requisito com os demais, restam poucas alternativas e normalmente recaem na classe dos pigmentos, a maioria inorgânicos e sintéticos.

    • Óxido de ferro – preto, vermelho, amarelo, ocre
    • Ultramarino – azul escuro, azul claro e violeta
    • Óxido de cromo – verde claro e verde escuro
    • Dióxido de titânio – branco
    • Óxido de zinco – branco, vermelho claro (calamina)
    • Ferrocianeto férrico – azul escuro
    • Mica – efeito perlescente de várias tonalidades

Esta classe de pigmentos são os aprovados pelo FDA, são resistentes ao cold process e não perdem a cor com o tempo.

Estes pigmentos são dificeis de serem encontrados nas quantidades pequenas que são usados na saboaria artesanal. Uma alternativa que eu uso é comprar estes pigmentos em lojas que vendem materiais para uso artísticos – os pintores usam para preparar as suas tintas. São vendidos em pequenas embalagens, inferior a 100g, custam caro mas rendem muito e a compra também pode ser feita cotizando com outros artesões. Uso das marcas Sennelier (francesa) e Mahler (fracionado no Brasil).Além desses pigmentos podem ser usados as argilas naturais que não possuem o poder de tingimento dos pigmentos mas são fáceis de serem encontrados nas cores branca, verde, amarelo e rosa, estes dois últimos, tingidos, na sua preparação, com óxido de ferro. Para a cor preta uma opção é o uso do carvão de bambú que além do forte poder de tingimento tem suas propriedades condicionadoras da pele.

Uma outra opção é você fazer o seu proprio colorante, através da maceração de certas plantas com óleos que são normalmente usados no cold process. Um exemplo é a maceração de chá verde ou ervas de chimarrão para obter uma cor verde claro. Alguns componentes da própria formulação pode dar uma cor discreta ao seu sabonete, como o mel que dará uma cor creme ou o uso do leite de cabra que dependendo da temperatura do processo cold poderá dar uma cor creme ou marrom escuro ou ocre.

Importante enfatizar que a maioria dos corantes que se usam em alimentação e para colorir velas, são anilinas (azo componentes) que não resistem ao meio alcalino e também não tem resistência a luz e portanto não devem ser usados para dar cor aos sabonetes. Neste caso é sempre bom testar antes.

Uma última observação diz respeito a questão de pigmentos naturais versus sintéticos. Se você faz saboaria natural e não abre mão de só usar materias de origem natural, é entendível que você não vai querer usar um pigmento sintético (feito pelo homem). Acontece que o FDA só aprova pigmentos sintéticos porque os naturais podem estar contaminados com metais pesados (tóxicos) que não podem ser separados na sua extração e alguns realmente fazem mal à saúde, como o chumbo e o cadmio. A escolha é sua!

Na página de download coloquei arquivos com a relação dos materiais aprovados pelo FDA para uso em cosméticos e também o catálogo da Sennelier dos pigmentos artísticos. Em ambos estão assinalados os pigmentos que podem ser usados no cold process.

 

Anti-oxidantes e conservantes naturais

Os produtos típicos da saboaria artesanal natural tais como sabonetes, cremes, óleos corporais, bálsamos, podem se deteriorar com o tempo. Esta deteriorização pode ser provocada pela oxidação dos óleos e/ou pela formação de bactérias e fungos.

Os produtos que inibem ou retardam estes defeitos são os anti-oxidantes e os conservantes.

Anti-oxidantes

Muitos já devem ter ouvido falar ou mesmo presenciado um defeito que ocorem com os óleos em geral, em óleos que se usam na cozinha. Este defeito é a rancificação do óleo ao longo do tempo de estocagem, denotado pelo cheiro característico de ranço, o óleo se estraga. Este mesmo defeito pode ocorrer com com o sabão feito artesanalmente, é raro mas pode ocorrer com sabão feitos com determinados óleos, por exemplo, óleo de semente de uvas e que tenham na sua formulação um alto valor de sobre-engorduramento (superfatting), acima de 8%.

A rancificação é um processo de oxidação onde os radicais livres formados pela luz e o ar atacam as insaturações presentes nos óleos poliinsaturados, como no caso do óleo de uvas.

Conservantes

Em produtos com uma razoável quantidade de água, como nos cremes a base de água, é muito comum a formação e crescimento de microorganismos que acabam por estragar o produto. Neste casos é sempre necessário o uso de algum tipo de conservante. Nos produtos anidros ou com muito pouca água normalmente não é necessário esta precaução.

Anti-oxidantes e conservantes naturais

Existem três produtos elementares que tecnicamente podem ser considerados anti-oxidantes eficazes: óleo resina de alecrim (extrato das folhas de Rosmarinus officinalis), vitamina E (tocoferol) e extrato das sementes de toranja (Citrus grandis).

Óleo resina de alecrim (Rosemary oleoresin extract -ROE)

Destilado das folhas de alecrim, o óleo resina é talvez o mais efetivo anti-oxidante desta classe. Importante salientar que não é o óleo essencial de alecrim, que não possue propriedades anti-oxidante. Tem um ligeiro cheiro herbáceo que pode ser mascarado quando misturado com outras fragâncias. O ROE é solúvel em óleos e deve ser misturado na fase óleo quando do preparo de cremes, loções e bálsamos, etc. Normalmente é vendido nas concentrações de 2 e 5% e a quantidade recomentada é de 0,1 a 1% para o de 2% e 0,05 a 0,5% para o de 5%.

Vitamina E

Este é o mais antigo e bem conhecido de todos os anti-oxidantes. Foi o primeiro a ser introduzido no mercado, não só como anti-oxidante mas também como hidratante. Como o ROE, a vitamina E é solúvel em óleo. Existem dois tipos de vitamina E: vitamina E acetato (dl-tocoferol), que é sintético e a vitamina E natural ( d-tocoferol). É sempre preferível usar o natural por sua maior eficácia, alias, alguns autores afirmam que o sintético não tem ação anti-oxidante, o que é uma controversia pois as capsulas medicinais de vitamina E são feitas com o acetato sintético. A recomentação de quantidades são, 1 a 5% do acetato e 0,1 a 0,25% do natural.

Extrato de sementes de toranja (Grapefruit seed extract – GSE)

O mais novo dos anti-oxidantes, preparado do pó das sementes de toranja. Muitas pessoas tem usado o GSE como conservante contra bactérias e fungos, mas sua efetividade não está comprovada extensivamente. Se for usar, é melhor testar antes pois depende muito da formulação. Como anti-oxidante a quantidade recomendada é de 0,05 a 0,5% e como conservante, 0,5 a 1%.

Nenhum deste três comprovados anti-oxidantes se encontram à venda no Brasil.

Não exite um produto elementar natural que pode ser considerado um conservante efetivo. O GSE poderia ser considerado um conservante apesar da falta de unamimidade da sua eficácia. Existem algumas preparações proprietárias normalmente constituidas de uma mistura de componentes naturais que tem se revelados efetivos como conservantes, entre outras propriedades. São eles, o Biopein® e Neopein® ambos da Bio-Botanica, que são extratos de várias ervas e o Dermosoft 688 ECO® da empresa Dr. Stratmans, certificado pela Ecocert.

Anti-oxidantes e conservantes em sabonetes por cold process?

Nos sabonetes feitos por cold process usando óleos convencionais com uma formulação balanceada de óleos, não é necessário se preocupar com a oxidação, ela raramente ocorre e a faixa de pH alcalino do sabão aliado ao baixo teor de água, inibe a formação de microorganismos. Portanto não é necessário o uso de anti-oxidantes e nem de conservantes e o produto se manterá por um longo tempo sem se alterar – eu tenho sabonetes feitos há mais de três anos e estão perfeitos!

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 Fornecedores

NomeEndereço do site/e-mailCategoriaObservação
Distriolwww.distriol.com.brÓleos em geral
Aboissa www.aboissa.com.brÓleos em geral, fraciona alguns óleos
Casa do Artistawww.acasadoartista.com.brPigmentos para artistas
Ferquimahttp://www.ferquima.com.br/Óleos essenciais e alguns óleos específicos
Casa Polyhttp://www.casadasessenciaspoly.com.br/Produtos químicos, grande variedades de outros produtos para saboaria, cosmetologia, perfumaria, etc
Casa Americanahttp://www.casaamericana.com.br/Produtos químicos, reagentes, equipamentos para laboratório
Royal Marckhttp://www.royalmarck.com.brProdutos químicos, reagentes, álcalis
Meméiahttp://www.leitememeia.com.br/Leite de cabra fresco
Bramble Berryhttp://www.brambleberry.com/Matéria primas para saboaria em geral, bem completaFica EUA. Normalmente incide impostos ,mas já comprei várias vezes e não paguei
MMS - Majestic Mountain Sagehttp://www.thesage.com/Matéria primas em geral para saboariaFica EUA. No site não é possível comprar diretamente p/ Brasil. Mande um e-mail que eles instruem como fazer
Comercial Rizzohttp://www.comercialrizzo.com.br/Embalagens em geral e papel celofane original
Alpha Químicahttp://www.alphaquimica.com.br/Produtos químicos, farmacêutica e cosmética
Sabão & Glicerinasabão e glicerinaProdutos para saboaria em geral, incluindo óleo de babaçú e palma
Império do BanhoImperio do BanhoProdutos em geral para saboaria

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Referência Bibliográfica

Título/TitleAutor/AuthorEdição/Edition
Analysis of Cosmetic ProductsSalvador, Amparo; Chisvert, AlbertoElsevier, 2007
Bailey's Industrial Oil & Fat ProductsShahidi, FereidoonWiley Interscience, 2005
Biology of Floral ScenteDudareva, Natalia; Pichersky, EranTaylor & Francis, 2006
Chemical Composition of Everyday ProductsToedt, John and et allGreenwood Press, 2005
Clean a history of personal hygiene and purity Smith, VirginiaOxford University Press, 2077
Common Fragance and Flavor MaterialsSurburg, Horst and Panten, JohannesWiley Verlag, 2006
Cosmetic and Toiletry FormulationsFlick, Ernest W.Noyes Publications, 1992
CosmetologyGanzalez, AnthonyGlobal Media, 2077
Creating an Herbal Bodycare BusinessMaine, SandyStorey Books, 1999
Handbook of Cosmetic Science and TechnologyBarel, Andre O. and et allInforma Healthcare, 2009
Handbook of DetergentsZoller, UriMarcel Dekker, 2004
Handbook os Industrial Chemistry and BiotechnologyKent and RiegelSpringer, 2007
Liquid DetergentsLai, Kuo-YannTaylor & Francis Group, 2006
Making Natural Liquid SopasFailor, CatherineStorey Publishing, 2000
Perfumery Practice and PrinciplesCalkin, Robert R.; Jellinej, J. StephanWilley Interscience, 1994
Poucher's Perfumes, Cosmetic and SoapsButler, HildaKluwer Academis Publishers, 2000
Soap Manufacturing TechnologySpitz, LuisAOCS Press, 2009
Soaps, Detergents, Oleochemicals and Personal Care ProductsSpittz, LuisAOCS Press, 2004
The Art of Soap-MakingWatt, AlexanderThe Technical Press, 1946
The Chemistry of Aromatherapeutic OilsBowles, E. RoyAllen & Unwin, 2003
The Chemistry of FragancesPybus, David H.; Sell, Charles S.RSC, 2006
The Complete idiot's Guide to Making Natural SoapsTrew, Sally W.; Gould, Zonella B.Alpha, 2010
The Natural Clean HomeMaier, Karyn SiegelStore Books, 1999
The Science os Soap Films and Soap BubblesIsenberg, CyrilDover Publications, 1992

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89 ideias sobre “Introdução

  1. Olá Roberto,
    Buscando pelo óleo de Babaçu encontrei um tal óleo de Licuri. Segundo li em um site as propriedades são muito similares ao óleo de babaçu e é utilizado por muitas saboeiras. Você já ouviu falar? Sabe me dizer algo a respeito?

    • Michell
      Conheço pouco do Licuri (Syagrus coronata) ou ouricuri, uma palmeira nativa na Bahia que produz óleo cuja composição se assemelha ao do Babaçú. Como tem baixo rendimento em relação ao babaçú, não é disponível amplamente.Seu comsumo, inclusive como óleo cosméstível se restringe à região de produção que é o estado da Bahia.
      Não conheço alguém que usa ou usou este óleo na saboaria artesanal

      • Obrigada Roberto. O vendedor me ligou e o preço é muito baixo (5-7 reais o litro). Ele disse que é melhor que o óleo de coco pois espuma mais entre outras coisa, mas fico desconfiada em relação ao contato com a pele, se reage da mesma forma que o babaçu, etc

        • Micheli,
          O preço está ótimo! Mas é o que vc falou, como é uma extraçào em pequena escala é possível que a pureza não seja a mais adequada e aí pode ter problemas no uso. Vc está na região de produção deste óleo?

          • Não, mas pensei em pegar 5 litros pra testar. O frete fica em 19 reais. Sai a menos de 10 reais o litro mesmo com o frete, mas fico preocupada é com a pele, se resseca , se tem alguma reação. O vendedor me disse que tem uma saboeira em Ubá que trocou o babaçu pelo Licuri e que me passaria o contato. Ele também falou que o óleo é filtrado como o babaçu.

      • Sou baiana e por isso conheço bem o licuri. Utilizei o óleo em sabões que fiz recentemente, minhas primeiras incursões no mundo do sabão. Creio que as propriedades são mesmo bem semelhantes ao palmiste.

  2. Olá Roberto! Moro em Curitiba e há uma dificuldade em se encontrar o óleo de palma refinado. Encontrei o azeite de dendê bruto e fiquei em dúvida: é necessário desprezar a fase sólida (estearina) do azeite na confecção do sabonete?

    • Barbara,
      Melhor não separar a oleina da estearina. Se vc aquecer o dendê vai ficar tudo homogeneo e vc usa assim.
      Realmente é difícil encontrar o palma. Em SP tem mas teria que pagar o PC/Sedex.

      • E a temperatura para mistura, continua em 34° C? Tenho acesso a gordura de coco . É branca, sólida, sem cheiro. Pode substituir o coco babaçu? Obrigada

        • Olá Barbara
          Qual formulação vc quer fazer ou está fazendo? Me rsponda, pf,por e-mail.
          O óleo/gordura de côco (Cocos nucíferas, côco da praia) pode substituir o óleo de babaçú.

  3. Boa tarde Prof. Akira,
    Antes de mais nada, agradeço o compartilhamento de todas as informações aqui colocadas. Li tudo e estou fazendo muito proveito, mas surgiu uma dúvida que não consegui sanar. Relativo ao pH, realmente verifiquei que o sabonete artesanal produzido pelo cold process apresenta valor mais alcalino (+/- 10), o que torna bastante desagradável o contato acidental com os olhos. Há no seu texto introdutório uma menção a respeito do uso de ácidos naturais como aditivo para corrigir o pH. Seria possível tornar o pH mais próximo do neutro, sem interferir no processo e na qualidade do sabonete? Quais ácidos recomenda e como/quando deve ser acrescentado?
    Obrigada pela atenção.

    • Violeta,
      Todos os sabões em barras quer sejam industrializados ou artesanal, são alcalinos pela natureza do sabão. O sal de sódio ou potássio do sabão tem pH entorno de 8 a 10, qdo feito com critério correto. Os sabonetes industrializados tem pH normalmente mais alcalino do que o artesanal. Cheguei a testar muitos sabonetes de supermercado e encontrei até valores de 11 de pH, o que é uma região já problemática para a pele.Tem um único sabonete muito vendido que tem pH de 8 ou um pouco abaixo, mas este sabonete é um sabonete híbrido, tem componente patenteado que é petroquímico.

      No sabonete em barra, feito por cold process, não é possível fazer nenhuma ação de neutralização, isto é, não pode ser corrigido o pH.
      Já no sabão líquido é possível corrigir o pH para valores em torno de 8 utilizando bórax ou ácido cítrico.

      • Olá Prof. Akira,
        Muito obrigada pela gentileza.
        Medi o pH de um sabonete industrializado que tinha em casa e o pH foi +/- 9. Como o artesanal 72%oliva que confeccionei apresentou valor 10, fiquei um pouco preocupada, mas depois da sua explicação fiquei tranquila e agora posso presentear parentes e amigos.
        Tenho certeza que vão gostar, pois eu adorei. Realmente o efeito sobre a pele é bem distinto de um sabonete de supermercado. Testei isso deixando de usar hidratante após o banho e para a minha surpresa a pele não ficou ressecada e esbranquiçada, como comumente fica após uso de sabonetes industrializados.

          • Professor,
            O sabonete 72:18:10 de oliva:coco:palma com 8%SF mostrou-se agressiva para a pele do meu pai (uma de minhas cobaias rsrsrs), que, a exemplo de muitos homens, não quer se dar ao trabalho de passar hidratante após o banho. Depois disso, procuro fórmulas que utilizem no máximo 10% de coco ou babaçu, mas isto sempre torna o produto final mais mole. Existe algum óleo ou manteiga que ofereça dureza boa e baixa limpeza que possa substituí-los?

            • Violeta,
              Vc já está com o mínimo de ácido laurico na sua formulação e mesmo assim está sensibilizando a pele.
              Vc poderia tentar um 100% oliva, o tipo sabao de castilla, um sabão excelente e insuperável em termos de condicionamento. Outras propriedades nao são lá grandes coisas, mas se vc deixar secando bastante tempo, atenua a falta de dureza. A espuma é miúda e forma uma camada pegajosa na superfície. É o melhor sabão para a pele de bebês.

              Para manter a limpeza baixa sem perda de dureza, poderia aumentar o palma para 25 a 30%.

  4. Roberto
    Comprei óleo de Castanha do Pará, porém não existe referência em nenhuma calculadora para eu calcular a soda. Como sou um zero à esquerda em reações químicas e a matéria, para mim, se trata de ciências ocultas, peço socorro. Gostaria de saber, pelos componentes do óleo, qual poderia usar nas calculadoras em substituição, de modo que a saponificação de certo. Já pensei em amendoim, nozes, avela, macadâmia, amêndoas, kkkk, tudo parecido, mas não vou fazer nada sem consultá-lo para não perder material.
    Obrigada

  5. Silvia,
    Óleo de Castanha do Pará : Brazil Nut, Huille de Noix du Brasil, Aceite de Nuez de Brasil – Bertholletia excelsia.
    peso especifico: 0,910g/cm3
    índice de iodo: 97 – 106
    Indice de saponificação (medio): 197mg KOH/g de óleo, 140mg NaOH/g de óleo
    composição de ácidos graxos: palmitico 18%, estearico 13, oleico 47, linoleico 15

    As calculadoras não tem este óleo, ou vc faz escolhendo um óleo parecido no seu indice de saponificação, ou faz o cáculo na mão, o que é fácil fazer, posso explicar como se faz

    • Silvia,
      Por favor, me passe a sua composição e quantidade que posso exemplificar os cáculos em cima disso. Pode passar pelo facebook ou e-mail.

  6. Roberto, assisti um vídeo no youtube e o autor teve dificuldades com o trace da massa. Ele usou como aditivos a própolis e uma essência (substâncias alcóolicas). Se tiver disponibilidade assista essa parte do vídeo e confirme se o rápido endurecimento da massa foi devido à introdução de substâncias alcóolicas. Estou pesquisando isso por que embora queira fazer uso de óleos essenciais em meus futuros produtos eu gosto muito de própolis no sabonete. Você tem alguma experiência com o uso desse extrato? Sei que uma vez fui a Campinas e comprei um extrato de própolis à base de água, da Apis Flora, que também pode ser uma alternativa.
    Desde já obrigada.
    http://www.youtube.com/watch?v=83PGprkrUAQ

    • Ivy,
      qualquer substância que contenha álcool compromete a fase do trace, acelera em demasia e fica difícl de trabalhar a massa de sabão. Tem que evitar o uso de álcool.

  7. Boa noite Roberto,
    Muito grata por todas as informações partilhadas, seu site é enriquecedor! Parabéns!!!
    Moro no nordeste e só consigo adquirir óleo de palma bruto, assim, todos os sabonetes ficam com a cor característica desse óleo. Você pode me indicar um fornecedor de óleo de palma refinado?
    Gratidão!
    Um grande abraço!

    • Olá Karla,
      Realmente é difícil adquirir o óleo de palma refinado, algumas lojas on-line,situadas em SP vendem mas o preço é alto e o frete para o nordeste penaliza em muito.
      Uma sugestão é contatar o Amauri Amof que faz sabão e está em Salvador, ele quando começou teve problemas de adquirir o palma mas coseguiu um fornecedor na região: http://aromachik.blogspot.com.br/

  8. Caro Prof. Roberto,

    comprei por engano shortening de palma orgânico em vez de óleo de palma RDB, como posso usar o shortening em cold process para não ter que desprezar/desperdiçar?
    Tenho também óleo de palmiste, além de babaçu.
    Outra dúvida é que li que o óleo de oliva extra virgem não serve para a saboaria, então qual se deve usar?
    Muito grata,
    Silvia

    • Maria Silvia,
      Esse shortening de palma orgânico de que marca/fabricante é? O que está escrito na embalagem?
      O oliva extra virgem serve sim e muito bem! O que eu considero , é um desperdício usar o extra virgem para saboão. Pode usar o pomace/sansa/orujo/semente de oliva que é bem mais barato e é excelente para fazer sabão

      • Caro Roberto,
        é da Agropalma, veio em uma caixa de 13,6 kg, mas é shortening e não é o óleo de palma rdb(na caixa que veio tem essa opçaõ). Comprei da Buriti Coemrcial.
        Obrigada pela resposta e a informação do azeite de oliva.
        Abraço,
        Silvia

        • Maria Silvia
          Ok, qdo se trata da Agropalma a denominação shortening diz respeito ao óleo de palma refinado. Eu uso esse da Agropalma e compro do Celso da Buriti.
          Nem sei porque tem essa opção de palma refinado, pode ser para o Brasil e shortening para exportação. Se quiser confirmar pode perguntar para o Celso

          • Caro Roberto,

            Ufa! Que bom, então vai dar certo!
            Muito obrigada! Já estou super animada com os resultados obtidos sem o óleo de palma, agora finalmente vou experimentar.
            Muito obrigada por sanar essa dúvida. Não sabia como colocar esse shortening na calculadora, se como shortening, que geralmente tem outros óleos vegetais, né, ou se como algum tipo de óleo de palma… Então devo colocar como óleo de palma convencional, né?
            Obrigada, abração,
            Silvia

  9. Roberto
    é um imenso prazer escrever para você. Sou seu fã.
    A muito tempo estou pesquisando uma maneira de aproveitar as sobras de óleos de frituras aqui da minha cidade, eu moro em aracati-ceará para produzir um sabão mais natural possível e menos agressivo a pele mas meus esforços ainda não deram resultados satisfatórios.Já tentei várias fórmulas mas sempre esbarro em algum problema: Pah alto,tempo de reação rápido demais.dureza insuficiente etc.
    você não poderia me dar uma luz .Alguma informação que poderia me ajudar nesta minha pesquisa.
    desde já agradeço!

    • Warner,
      Tem dois post sobre este assunto no blog.
      Acho que vai ajudar a elucidar as dúvidas que vc está tendo. Qualquer ajuda a mais, me contate!

  10. Caro amigo, Roberto.

    Encontrei um dos post que você mencionou foi como uma explosão de uma super nova no meu universo de escuridão.
    obrigado !!!

  11. Caro Roberto,

    primeiramente gostaria muito de agradecer sua generosidade por compartilhar todo seu conhecimento de forma tão aberta e acessível!
    Bom, cheguei até aqui pois sou umas dessas pessoas que adquiriram alergia e dermatites por conta dos ingredientes químicos agressivos que as grandes cia utilizam. Então parei de usar todo e qualquer produto de higiene pessoal comercializado em grande escala. Imagino que possa imaginar a dificuldade extrema que é encontrar produtos alternativos no Brasil! Hoje basicamente faço todos os meu produtos desde hidratante até shampoo. Os sabonetes foram os últimos que tentei fazer e apanhei muuuito até encontrar aquela santa calculadora da mendrolandia e os seus ensimamentos. Consegui fazer o sabonete de castela sem me arriscar muito, pois não adicionei nada além do óleo de oliva e a soda/agua. Ficou suave, o ph ficou em 10 e durou bastante. Mas como viajei recentemente, aproveitei p/ comprar tudo o que não encontro aqui e gostaria de uma ajuda p/ não fazer besteira e desperdiçar os oleos e outros aditivos. Então lá vai:
    - o que vc recomendaria para fazer um sabonete bem equilibrado com óleo de borragem, primula e romã? Posso substituir o óleo de palma pelo de arroz? Sou leiga total e não sei se o oleo de arroz é tão ‘duro’ quanto o de palma. Alias como faço p/ saber se um óleo é ‘duro’ ou ‘mole’?
    - Como faço para adicionar aditivos tipo vitaminas líquidas (tenho vit b2, b5 e k), quer dizer, em que ponto devo adicionar na mistura e se esse tipo de ingrediente pode talhar o sabonete?
    - Posso usar essência que não seja óleo essencial na mistura? Comprei essências sem ftalatos que segundo a loja poderiam ser utilizadas para cold process. Não sei se isso procede.

    Enfim, muito obrigada!!
    Gabriella

    • Gabriella,
      Obrigado!
      Vamos as respostas:
      - os óleos de borragem (Borago officinalis L), prímula (Oenothera biennis) e o de romã (Punica granatum) são óleos que contém os ácidos graxos essenciais, fundamentáis para produtos comésticos, são muito nobres para se usar em sabão. Não recomendo usar para fazer sabão.
      - existe uma comunidade de saboeiros que nao usam o óleo de palma pela problemática séria de sustentabilidade dos óleos proveniente da Ásia (Malásia e Indonésia). Eles susbstituem por karité ou óleo de arroz. Obviamente a dureza nao pode ser comparada ao obtido com o palma, mas fica um sabão muito razoável. Veja este post no blog: http://www.japudo.com.br/2013/03/16/analise-de-formulas-de-sabao-livres-de-palma/
      - a dureza do sabão é conseguida pela quantidade de óleos saturados presente na formulação, qto maior, maior a dureza. Tipicamente são os ácidos graxos esteárico, palmítico e laurico.
      - esta vitaminas são próprias para uso em cosmética com ação antioxidante, preserva e revitaliza a pele. Não aconselho usar em sabão, a soda é muito agressiva e vai acabar destruindo os princípios ativos da vitaminas.
      - pode ser usado desde que a essencia nao contenha álcool (a maioria contém) pois o alcool é solvente do sabão e provoca o chamado “sezing”que é o defeito de subitamente acelerar o trace de modo que fica impossivel ou muito difícil manusear a massa de sabão. Existe em SP uma loja que tem algumas essencias proprias para cold process.

      PS, me made um e-mail que lhe passo o fornecedor de essencias compativeis com cp

      • Roberto,

        Muito obrigada pelas explicações!
        É, imaginei que seria besteira utilizar os oleos na elaboração do sabonete, mas queria fazer um para usar no rosto exclusivamente e como adoro esses óleos e utilizo-os no meu creme facial pensei se não conseguiria utilizá-los no sabonete. Também adoro o óleo de moringa oleifera que não encontro de maneira nenhuma aqui no Brasil. Vou mandar um email p/ vc!
        Obrigada!

  12. Olá, bom dia
    Será que me pode informar sobre um fixador de aroma dos oleos essenciais
    para sabonetes de azeite fabrico artesanal.
    Muito obrigada.

    • Ana Silva,
      Eu só conheço um fixador efetivo para os OE no sabão.
      É o uso de óleo essencial de litsea cubeba qdo vc usa óleo essencial de lavanda.
      A proporçao é mais ou menos 2:1 de lavanda:litsea cubeba.
      O melhor fixador para os OE é a quantidade. Existe uma regracinha de quantidades, quando for usar OE: fraco – 2 a 3%, médio – 3 a 4% e forte – de 5 a 6%
      Espero que te ajude

  13. Caro Roberto,

    Tomei conhecimento do seu blog a partir do grupo “saboaria”.
    Sou nova nestas andanças e ando a estudar antes de deitar mãos à obra.
    Queria apenas felicitá-lo: Publicação excelente para iniciados! e blog muito bom, cheio de informação e explicação (gosto de saber o porquê das coisas!)

    Obrigada por partilhar o seu saber e continuação de bons sabões!

  14. Olá Roberto! Primeiro queria parabenizar o seu blog pois é cheio de informações realmente úteis desta área um tanto árida no Brasil. Poucas informações decentes eu tenho encontrado na internet. Enfim, tenho duas duvidas importantes… Existe alguma diferença significativa entre os sabonetes cold process e os glicerinado? Outra coisa, há algum problema em usar soda 99%? Muito obrigado!

  15. Olá!!
    Seu site é realmente espetacular.
    Tirou muitas dúvidas, principalmente sobre a parte química da qual estava tentando entender.
    Acho que devido a quantidade de ácidos graxos o óleo de palma está presente na maioria dos sabonetes artesanais que encontrei a venda. Mas há a controversa questão sobre seu plantio.
    O Sr. conhece algum vendedor que fornece o óleo oriundo de um plantio sustentável??
    Caso não..
    Que óleo poderia ser utilizado em seu lugar, que conferisse dureza necessária para a produção do sabão?

    Obrigada desde já!
    Dany

    • Danyelle,
      Obrigado!
      O óleo de palma e palmiste comercializado no Brasil é produzido pela Agropalma, uma empresa referencia.
      Veja quem é a Agropalma e leia um post sobre o palma da Malasia e Indonésia.

  16. Boa noite, Akira! Você teria alguma formula simples e barata para produção de sabão pelo método de cold process para lavar louças, roupas?

  17. Boa tarde Sr. Akira,
    Estou começando a fazer meus sabonetes, fiz algumas massas esta semana, penso que ficaram boas, porém ficou uma dúvida, preciso medir sempre o PH? caso sim, em que momento? Como meço?
    Me desculpe, mas como vi até o momento, o Sr. é uma pessoa disponível e sensível às dificuldades de outros. Agradeço a Deus por ainda existirem pessoas que sem ganho algum partilha seus conhecimentos.
    Obrigada e que Deus o abençoe!
    Janea

    • Janea,
      Obrigado!
      A medida do pH em todos os lotes é importante porque garante que não houve algum erro e o sabão poderia está caustico e inseguro para uso.
      A medida pode sr feita usando as tiras indicadoras de pH e sempre aconselho usar da marca Merck, ela confiabilidade.
      A medida é feita depois de 72 horas ou mais, pegando aproximadamente 10g de sabão e diluindo parcialmente em +-100g de água.
      O valor deveria estar entre 9 e 10.

  18. Akira,
    Outro dia assistindo a um vídeo do Peter Paiva decidi fazer o meu próprio sabonete pra ver se realmente sabonete artesanal é tudo o que dizem.

    Comprei meu primeiro material para confecção do tal sabonete (base glicerinada,etc). Confesso que foi com um certo grau de desconfiança.

    Optei por um sabonete esfoliante de mel, própolis e fubá.

    Fiquei impressionada com o resultado. Minha pele nunca ficou tão sedosa. A massa rendeu cerca de doze sabonetes. Porém apesar de acrescentar extratos naturais e um mel de qualidade, o odor característico da base glicerinada predominou.

    Presenteei algumas pessoas com o sabonete e apesar do cheiro forte adoraram o resultado.

    Isso fez com que eu procurasse novas fórmulas de sabonete até que conheci o de processo a frio. Fiquei fascinada e descobri que o verdadeiro sabonete artesanal é o que é feito com gordura + soda (óleos + alcalis) por meio de uma reação química.O que o Peter Paiva produz é apenas uma misturinha(Não querendo desmerecer visto que adorei o resultado).

    Fiquei interessada no Cold Process e através das minhas pesquisas encontrei seu site.

    Tenho interesse em fabricar meu sabonete cold. No entanto as receitas que tenho encontrado na internet usam vários tipos de óleos(todos caros).

    Gostaria de saber se eu poderia produzir sabonetes(pelo menos no início para adquirir experiência) utilizando os óleos mais acessíveis como soja,canola, milho e girasol (todos Virgens).

    Se for possível você poderia encaminhar uma receita passo a passo com no máximo um litro de óleo para que eu possa testar, sentir o ponto e ver se me apaixono de vez pela arte da saboaria?

    A propósito sua marca é regularizada pela “bendita” ANVISA?

    Desde já agradeço a sua atenção.

    • Patricia,
      Um sabão bom só é conseguido com uma mistura de óleos, muito difícil um único óleo que produza um sabão balanceado.
      O oliva 100% é muito apreciado mas tem suas limitações, mas quem sabe seja único óleo que tenha uma performance boa.

      Os sabonetes de base glicerinada é um artesanato em sabão, onde o que se faz é uma modificação física na forma, mas o conteúdo permanece o mesmo ao final do trabalho artesanal. Já na saboaria artesanal o que se faz é a síntese do sabão a partir dos componentes primários através do processo químico da saponificação.

      Deste modo é importante ter o mínimo de conhecimento sobre o processo como um todo. No blog tem as informações básicas onde se pode aprender este conhecimento básico necessário.Tb tem as fórmulas dos sabonetes cold process que vc pode usar para iniciar na saboaria artesanal

  19. Akira, obrigada pela resposta. Tenho a certeza de que encontrarei todas as informações que necessito nesse maravilhoso site. Parabéns!!!

  20. Sr. Roberto,

    Estou maravilhada com tanta informação e principalmente com desprendimento, solidariedade e humildade de sua parte. Certamente, se no mundo tivéssemos pessoas com a metade de suas qualidades o mundo seria bem mais evoluído. Parabéns!
    Gostaria de saber se o Sr. ministra cursos, pois gostaria de fazer, visto que a saponificação não é tão simples como se imagina.
    tenho algumas dúvidas que não consegui informação no site, como:
    1. Tem alguma diferença entre fazer a lixivia com água ou um concentrado de “chá” de ervas. O aroma e as propriedades das ervas serão preservadas na reação com a soda?
    2. Quais são os valores do óleo de Buriti. Quando feito de forma artesanal, tem alguma alteração na qualidade do sabonete?
    3. Além de óleo essencial, existe outra maneira de “perfumar” o sabonete?

    Desde já agradeço pela atenção,

    Márcia

    • Marcia,
      Obrigado!
      Por enquanto nao dou aulas, estou estruturando para fazer isso no segundo semestre.
      Vc pode usar infusões como os chás para fazer o sabão, diluindo a soda neste liquido da infusão.
      Eu nao acredito que se mantenha os ativos presentes no chá na reação de saponificação.
      O IS do óleo de buriti é de 0,156g de soda para 1 grama de óleo, se for nao refinado pode ter algum ácido livre que vai acelerar a formação do traço, mas não terá impacto no sabonete
      Pode ser usado essencias (sintéticas) especiais para cold process no lugar dos óleos essenciais

  21. Sr. Akira,
    Poderia me avisar quando tiver iniciando cursos? Semestre que vem está bom para mim.
    Estive pensando em qual é a vantagem de usar ervas, mel,leite, óleos caros, se no processo de saponificação a soda elimina tudo?
    O que fica é somente o sobreengorduramento e o fator condicionante dos óleos?

    mais uma vez obrigada,

    Marcia

  22. Olá Sr Akira, estou muito grata pelas informações valiosas de seu site. Estou fazendo meus próprios produtos de limpeza já faz algum tempo e o sabão era o único que eu ainda comprava até que resolvi arriscar a fazer. Eu utilizei uma fórmula pronta e depois de estudar descobri que havia excesso de soda. Estou com algumas dúvidas:
    1)Entrei em algumas calculadoras on line de saponificação e o indice do babaçu utilizando NAOH estava diferente do seu (245 e 250) esta que o sr passou foi a única com este índice 176 . ?? Porque essa diferença?
    http://calc.mendrulandia.net/
    http://www.soapguild.org/soapmakers/resources/lye-calc.php?action=calculate
    2)Estou querendo fazer um sabão com óleo de cozinha usado que tenha bons parâmetros proporcionando capacidade de limpar bem e não ressecar as mãos e que seja bem acessível em relação ao preço. É possível sem utilizar óleos de coco, ou palmiste ou palma?
    3) Aqui em Curitiba no mercado municipal encontrei uma gordura de coco e o vendedor me disse que é uma mistura de palmiste,babaçu e coco poderia ser uma alternativa? Mas os vendedores disseram que não sabem a quantidade de cada um na mistura. Posso fazer uma média de saponificação para esta mistura? E qual proporção de gordura de coco /óleo usado utilizar para um bom sabão?
    Grata!

    • Isabel,
      1) A definição correta do índice de saponificação (IS) é sempre dada pela quantidade em miligramas de hidróxido de potássio (KOH = potassa)) necessário para neutralizar (saponificar) uma grama do óleo. No caso do babaçu esse valor é de 245mg de KOH. Para saponificar com hidróxido de soda (NaOH = soda)é preciso fazer uma conversão equivalente do peso molecular e essa relação é de 1,40, isto é, dividir o IS por esse valor. No caso do babaçu seria 0,245/1,40 = 0,175mg de NaOH. As calculadoras apresentam os dois valores.

      2) Sim é possível mas o sabão sem óleo saturado tem baixa performance em dureza e limpeza.

      3) Se a mistura é composta com coco,babaçú e palmiste, que são óleos saturados com predominância de ácido laurico, todos tem IS quase iguais e para efeito pratico são considerados iguais e pode usa o IS do babaçu.

      • Gratidão!!

        Em relação ao sabão que fiz quero compartilhar uma experiência:
        A fórmula que usei foi
        1,5l óleo de soja+canola
        1l de gordura de coco
        400mg de soda
        550 mg de alcool 96% com cravos (tintura +ou-3 meses)
        300mg de extrato glicólico de aloe-vera
        3ml de óleo essencial de cravo e eucalipto glob

        Cmo ele ficou com um pó branco por cima e bem corrosivo no começo comecei a borrifar vinagre a cada 3 dias e aí formava o pozinho novamente e eu continuava borrifando. Hoje faz uns 5 dias que não borrifo o vinagre e mais ou menos 20 dias que ele está curando. Ele estava com o pozinho novamente e eu resolvi borrifar o vinagre e utilizar e tive uma surpresa. O sabão está super hidratante ! Lavei minhas mãos e ficaram sedosas e macias!! Não comprei as fitinhas de medir pH mas acredito que não deve estar mais tão alcalino.
        Abs

        • Isabel
          O seu sabão tem um excesso de soda de 15% que é significativo e uma exposição prolongada pode trazer danos à pele.

          O modo de calcular o sabão é assim:
          A – convertendo de volume para massa
          1,5 litros de óleo soja/canola = 1500 ml x 0,92 g/ml (peso especifico do óleo) = 1380g
          1 litro de óleo de coco = 1000 ml x 0,92 g/ml = 920g

          B – Calculo da soda
          1380 x 0,135 (IS do soja/canola) = 186 g de soda
          920 x 0,175 (IS do coco) = 161 g de soda
          Total soda = 347g

          Como vc usou 400g de soda tem um excesso de 15% e se considerar um SF de 5% teria um excesso de 21%

          Esse pó branco é a reação da soda com o gás carbônico da atmosfera que forma o carbonato de sódio que não é corrosivo.

          Algumas perguntas:
          1 -Se vc usou 550g de tintura e mais 300g de extrato glicólico em que momento adicionou isso à massa de sabão? O que vc observou?
          2 – Quanto de água vc usou para diluir a soda?

          • Olá eu adicionei a soda , depois a água e depois a gordura e mexi . Nesta fase começou a engrossar bem rápido . Em seguida adicionei a tintura e o extrato de aloe e ficou mais mole e com aspecto coalhado. Aí mexemos bastante e voltou a engrossar depois de alguns minutos e quando estava pesado para mexer derramamos na forma. No outro dia estava soltando um pouco de água com cheiro de cravo e nos proximos dias ja estava mais duro.

            • Isabel,
              A quantidade de água, 1 litro para 400g de soda está bem, dá uma concentração de soda de 28,6%.
              Se vc conseguiu homogeneizar a massa após a adição da tintura e do extrato, está bem.
              Então o unico problema é o excesso de soda.

              • Olá Sr Roberto fui comprar a gordura de coco novamente e desta vez as funcionárias da loja me mostraram a embalagem do produto de 20l que eles envazam e potinhos menores e para minha surpresa descobri que essa gordura de coco é composta 50% de gordura hidrogenada e 50% de babaçu+palma+palmiste. Fiquei um pouco decepcionada pois na primeira vez comprei cmo sendo só coco mesmo. Mas gostaria de saber se a formula mudaria com esta informação e se a qualidade do sabão decairia . Outra coisa é saber se em termos ecológicos e para limpeza de roupas o sabão resultante seria adequado. O sr poderia me auxiliar com estas duvidas? Grande abraço

                • Isabel
                  A gordura hidrogenada é o óleo de soja hidrogenado. Como a mistura dos 50% de babaçú/palma/palmiste não está definida, vamos supor que seja 20/15/15 e essa proporção não é relevante para o cálculo da soda.
                  Essa mistura de óleo tem um índice de saponificação de 0,150 g de soda para cada grama da mistura de óleos.

                  Esta mistura sozinha ou de preferência, misturado com um óleo insaturado (oliva, girassol, canola, etc) dá um sabão bom, equilibrado, perfeito para limpeza e tb adequado para o corpo. Poderia usar uma mistura de 30% de óleo insaturado e 70 dessa mistura.

                  • O valor de 0,150 é para mistura dos óleos com o óleo de soja? Como posso chegar a este valor calculando manualmente? Uma outra duvida é que no soap calc e na medrulandia mostra os índices para a qualidade do sabâo . Isto é relevante? Qual seria um padrão para um bom sabão para uso de limpeza doméstica e lavar roupas? abs

                    • Isabel,
                      O valor de 0,150 g de soda é para essa mistura que vc comprou e o cálculo pode ser feito manualmente ou através do uso de uma calculadora online.
                      Manualmente se faz assim:
                      50% soja hidrogenada x 0,136g de soda/g de óleo = 6,8g soda
                      20% babaçú x 0,175g de soda/g de óleo = 3,5g soda
                      15% palma x 0,142g de soda/g de óleo = 2,1g soda
                      15% palmiste x 0,176g de soda/g de óleo = 2,64g soda
                      Total = 15,04 g de soda para 100g da mistura de óleo —-> 0,150g de soda para 1 grama da mistura de óleos, que é o IS dessa mistura.

                      Sim é relevante e a melhor é do Soapcalc, a régua que mede a performance do sabão. Para limpeza precisa ter um índice de limpeza alto e isso é conseguido com o coco/babaçu/palmiste que tem alto teores de ácido laurico.

  23. Olá sr Akira,
    estava lendo a parte de conservantes e o sr se refere ao óleo de resina de alegrim.
    O sr disse que é um destilado da folha de alegrim mas não é o óleo essencial. seria então o hidrolato?? se não , como se obtem essa resina? obrigada pela atenção

  24. Olá Akira, tudo bem? Muito incentivador o seu site pra quem quer começar a produzir sabonetes. Estou ainda estudando as possibilidades pra iniciar, por enquanto faço com base vegetal pronta da Régia. A pergunta que eu gostaria de fazer é se Vc conhece a casa do saboeiro. Me parece que eles têm todo o aparato para se fazer o cold process, mas o que me chamou a atenção foram os preços dos oleos essenciais muito abaixo do mercado, vc conhece? Obrigada e abs,

    • Silvia,
      Nunca comprei com eles da casa do saboeiro.
      Cuidado com preços de óleos essenciais muito abaixo do preço de mercado.
      Recomendo a Ferquima ou a Destilaria Baurú.

  25. Obrigada Akira, pelo retorno. E dicas. Já comprei oleo essencial de alecrim e lavanda no Mundo dos Oleos e gostei. Não vi diferença com os da laszlo, Mas não sei se isso avalia. São mais baratos em embalagem de 50ml e vem com laudo, mas não tem muitos tipos. Sigo te acompanhando. Abs

  26. Oi! Parabéns pelo site. Eu queria saber se alguém já fez o teste com o óleo de licuri. E também, se sabem por qual substituir na Calculadora de Mendrulandia, já que não apareçe esse ingrediente. Comprei 5 litros pois o preó é muito menor que o óleo de coco “normal”, e estou aguardando essa informação para fazer o shampoo sólido. Obrigada. Deixo o link da calculadora aqui:

    http://calc.mendrulandia.es/?lg=br

  27. Olá Roberto. Fiz um sabão para uso doméstico louças, multi-uso, roupas. Na primeira receita utilizei 50% óleo reutilizado e 50% gordura de coco (mistura de palmiste e babaçu). Na segunda com 70% óleo usado e 30% (gordura de coco) . Após virar um creme no mixer eu adicionei 150g de babosa, 100ml de tintura de cravo e óleo essencial de cravo e eucalipto 30 gotas. Depois de 10 dias fiz um teste : O de 70% óleo usado ficou mais mole e durou menos tempo mas lavei roupa e louças e ficaram excelentes ! Limparam muito bem e deixaram um cheirinho suave muito bom e as mãos bem macias.
    A gordura de coco foi uma novela pois la na loja que comprei disseram que era misturada a gordura hidrogenada e o dono disse que não. Então entrei em contato com o fornecedor e ele disse ser uma mistura de palmiste com babaçu não podendo especificar quanto de cada, que o produto era isento de gordura vegetal ( http://www.trianguloalimentos.com.br/gorduras-vegetais.html). Então calculei pela Calculadora Magestic Montain como se fosse 25% babaçu, 25% palmiste e o restante soja. ok assim??Abs

  28. Senhor Akira,

    O senhor mencionou no seu texto que nos sabonetes feitos por cold process usando óleos convencionais com uma formulação balanceada de óleos, não é necessário o uso de anti-oxidantes e nem de conservantes. Esta afirmação também é verdadeira no caso dos sabonetes feito pelo hot process? muitíssimo obrigada!

    Antonieta.

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