Sabonetes em Creme

Tutorial sabonete em creme

 Segurança em primeiro lugar

  • Prepare o seu local trabalho e mantenha-o organizado
  • Eduque sua família e especial cuidados com crianças pequenas
  • Tenha certeza que você entende o processo
  • Use luvas de borracha e óculos de segurança
  • Nunca deixe os óleos quentes desassistidos
  • Nunca deixe a soda e a solução de soda desassistida
  • Trabalhe com método Não se distraia no trabalho
  • Limpe imediatamente os respingos

Fórmula

Esta forma foi elaborada com o uso do calculador Cream Soap Calculator de autoria da Kathleen Koch, que é uma planilha Excel com macros, que pode ser comprada por US$ 9.95 neste site:

http://www.soulgazersundries.com/calculator.html

Do ponto de vista dos componentes em óleos, é uma abordagem convencional. A manteiga de Karitê confere propriedades de umectação e hidratação. O uso do ácido esteárico, um ácido graxo (C18) saturado,  proporciona um espuma densa e persistente, própria para um creme de barbear, como originalmente foi o objetivo da formulação.

A cremosidade é obtida com a relação do Hidróxido de Potássio : Hidróxido de Sódio,  sendo aqui usado uma relação 5:1, lembrando que a soda resulta em sabão duro e a potassa em sabão líquido. Outro fator para a cremosidade é o grau de aeração que é obtida pelo uso da batedeira elétrica de cozinha e a quantidade de água de diluição.

Uma vez fixada a relação soda/potassa, o grau de dureza do sabão, o quanto se quer mais pastoso, cremoso, é obtida com a quantidade de líquido, água ou outro componente como o suco de Aloe vera. É uma questão de experimentação.

Esta fórmula simplificada é um resumo da fórmula gerada pelo calculador, mais prática para se usar.

Equipamentos 

Os equipamentos de segurança, óculos e luvas, são fundamentais e devem sempre serem usados na manipulação das matérias primas e no processo.

Neste processo é usado uma panela de cozimento lento “crock pot” para realizar a reação de saponificação, que é um processo a quente “hot process”. Esta panela permite um processo mais controlado, limpo e seguro. Poderia ser usado um sistema de banho-maria ou um forno a gáz ou elétrico como alternativas. A característica de aquecimento da panela Narita NSC-35 que foi usada neste tutorial é vista abaixo.

É fundamental o uso de uma batedeira elétrica de cozinha, de preferência planetária, para a fase de aeração do sabonete. Esta fase de aeração é bem trabalhosa e as vezes requer uma batedeira bem potente, como foi usado em determinado momento neste tutorial. Se o objetivo é fazer um creme de barbear ou um sabão de barbear, uma batedeira modesta pode dar conta do recado.

Características de aquecimento 

Como se pode ver, é uma panela de aquecimento lento cuja temperatura máxima é atingida em 180 min e não ultrapassa 85°C na regulagem de alta.

Preparando os ingredientes 

Pesar o ácido esteárico.

Pesar o óleo de palmiste.

Pesar a manteiga de Karitê.

Pesar o óleo de mamona.

Pesar o óleo de oliva.

Pesar a glicerina.

Todos os óleos e a manteiga de Karitê prontos para serem derretidos.

Derreter no microondas por 2 min em alta.

Pesar o hidróxido de potássio (potassa) e o hidróxido de sódio (soda).

Pesar a água da solução de álcalis.

A solução de álcalis dele ser feita sempre adicionando os álcalis sobre a água e nunca o contrário, para evitar situação de acidentes. Deixara a solução a 45°C.

A mistura de óleos deve estar a 79°C aproximadamente.

 Processo

Colocar a mistura de óleos na panela de cozimento lento.

 Lentamente adicionar a mistura de álcalis com agitação manual com o mixer.

Ligar o mixer e agitar.

Agitar com o mixer até o começo da formação do trace.

Formado o trace retirar o mixer.

Há uma fase de queda da viscosidade e aqui começa o cozimento. Colocar a tampa.

Após 1 hora de cozimento. Se houver tendência de errupção, retire a tampa e mexa com uma espátula. Procurar manter sempre com a tampa para que não haja perda de temperatura.

Após 2 horas de cozimento. A temperatura deve estar em torno de 88°C.

Depois de 3 horas de cozimento começa a formação do aspecto de gel.

Depois de 4 horas é tempo para verificar a reação de saponificação, se já está completa.

Pegar uma amostra diluir em água quente e medir, quando frio, o pH. Foi usado um phmetro digital portátil mas pode ser usado o papel indicador de pH. Com pH 9.9 a reação está completa.

Com 5 horas ainda não há uma formação de gel translúcido.

Finalmente, após 6 horas o aspecto é um gel translúcido completo.

Preparar a parte do ajustador dissolvendo o ácido esteárico na glicerina a quente.

Adicionar a mistura de glicerina e ácido esteárico e misturar bem. Cozinhar por mais meia hora.

Desligar a panela, colocar a tampa e deixar repousar por 18 horas (overnight).

Após o repouso este é o aspecto da massa de sabão.

É uma massa muito espessa difícil de misturar.

Prepare a água de ajuste. Pese a quantidade e anote para ter o peso no final e assim a fórmula mais exata. Pode ser usado outro líquido como o suco de Aloe vera no lugar da água.

Pesar os conservantes/antioxidantes naturais. É difícil obter a Vitamina E e o óleo resina de alecrim no Brasil. Este foram comprados nos EUA (frascos maiores) e o outro na Austrália.

Adicionar os conservantes naturais, e tente mexer.

Colocar a água de ajuste aos poucos.

O melhor modo de mexer e homogeinizar a massa de sabão é usando as mãos com uso de luvas por medida de higiene.

Com as mãos, após homogeinizar bem, faça bolas. Essas bolas facilitam no processo de aeração.

Usando a batedeira planetária, vá colocando as bolas uma de cada vez na batedeira.

Este processo de aeração é muito diícil, exige muito da batedeira.

Aqui já está quase bom, tem um aspecto de creme.

Está pronto o processo de aeração.

Coloque a massa aerada num recipiente com tampa e deixe repousar por uma semana.

 Cores e fragâncias

Depois de uma semana de repouso da massa aerada, foi feito 4 tipos diferentes de sabão em creme: Dreams (rosa), Lavander (avioletado), Silvestre (verde) e Terracota (avermelhado) e 1 creme de barbear Madeira (branco, sem cor). Em todos foram adicionados óleos da Amazônia: Andiroba, Copaíba e Cupuaçú. Como este tutorial foi submetido à um forum sobre o assunto nos EUA, foi colocado estes óleos nossos típicos para prestigiar nossa riqueza e diversidade.

A tabela abaixo mostra a composição de cada tipo feito:

Como o processo é repetitivo somente mostrarei um processo de adicionar a cor e a fragância.

Preparando os óleos da Amazônia 

Pesar os óleos da Amazônia: andiroba, capoaíba e cupuaçú.

Como o óleo de cupuaçú é pastoso à temperatura ambiente, derreta no microondas.

Ajuste da consistência final

Aqui foi usado o suco de Aloe vera como líquido para o ajuste da consistência.

Adicionar os óleos da Amazônia.Ajuste a consistência com o Aloe vera, na batedeira.

Dexar em repouso de um dia para outro.

Preparação do sabonete em creme Lavander 

Pesar o pigmento violeta ultramarino.

Dispersar o pigmento em um pouco de óleo de cupuaçú. O pigmento precisa estar bem disperso para se obter uma cor uniforme.

Adicionar o pigmento disperso.

Misturar na batedeira para homogeneizar a cor do sabão.

Pesar os óleos essenciais de lavanda mont blanc e litsea cubeba.

Adicionar a mistura de óleos essenciais.

Mexa na batedeira para misturar bem.

Aqui esta pronto o sabonete em creme Lavender.

Creme de barbear

 

Espuma densa e persistente, propriedades hidratantes do oliva, karitê e cupuaçú e cicratizante e bactericida pela presença dos óleos da Amazônia, andiroba e copaíba.

 

 

 

19 ideias sobre “Sabonetes em Creme

  1. Prof. Akira,
    Tenho uma dúvida, tentei fazer essa fómula reduzindo proporcionalmente os componentes, mas mesmo depois de 6 h de cozimento o pH ficou 10,5. Pra estragar de vez eu tentei reduzir o pH com uma solução de 1% de ác. cítrico, baixou só 0,1, então aumentei a concentração da solução, o pH ficou ótimo, mas… perdeu as características – não faz espuma ☹. Agora estou refazendo as minhas contas e ficou a dúvida de quanto é o super fat que vc usou? Desde já agradeço a orientação, e as suas maravilhosas postagens. Um abraço.

    • Cynthia,
      Não sei o que ocorreu, analise o que pode ter ocorrido.
      O SF foi de zero.
      Verifique a pureza do KOH que vc usou. Normalmente deve ser algo como 90%, foi o que normalmente eu uso

  2. Professor, obrigada pela ajuda. Qto a pureza dos hidróxidos, está ok. Vou refazer todo processo e verificar se foi por excesso de ác. cítrico que não fez espuma. Talvez a temp. do processo não tenha sido adequada, de qq forma depois de refazer, vou te dar um retorno com o resultado, e se concluí algo.
    Bom final de semana.

  3. Boa tarde Prof Akira,
    Creio que descobri o que houve, falha no peso dos óleos. Percebi que minha balança está dando uma diferença no peso real, horas para mais, e horas para menos. E na sequência da pesagem dos óleos essa pequena diferença em cada um foi acumulativa, e consequentemente alterando assim o pH final. Estou tentando salvar meu último teste, coloquei uma pequena parte dos óleos aditivos e uma quantidade mínima de água, e coloquei para cozinhar por mais uma hora. Não sei se a lixívia residual vai saponificar esse óleo adicionado, mas logo vou descobrir. Agradeço muito ao senhor por esse blog que tem sido muito instrutivo, e seu altruísmo em compartilhar suas fórmulas maravilhosas conosco, sem falar das suas orientações e esclarecimentos a todos. Muito obrigada, desejo que tenha sempre muito sucesso.

  4. Boa tarde Akira, fiquei em dúvidas de onde dissolver a esteralina…é junto da água com a potassa e o hidróxido de sódio? ou é junto com os óleos?

  5. há outra forma de medir se a reação de saponificação ocorreu sem ser pelo pH do produto?
    se a minha massa não ficar transparente significa que a reação não ocorreu completamente? é isso?
    Caso a reação não ocorra completamente, quais problemas de estabilidade eu poderia ter ao longo da vida destes produtos? muito obrigada prof akira

    • Juliana,
      A medida do pH é um modo rápido e econômico de verificar se a saponificação ocorreu. Existem outros métodos porém fora do alcance do artesanal. A massa nem sempre fica transparente. Se a reação não ocorreu completamente tem duas situações, ou faltou óleo e portanto tem álcali sobrando, que, dependendo da quantidade, pode tornar o produto perigoso ou sobrou óleo e portanto tem óleo sem saponificar que, dependendo da quantidade e do óleo, pode afetar a dureza, a durabilidade em uso e a oxidação.

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