PROCESSO SECULAR – Reproduzindo artesanalmente o mais antigo e lendário processo de fazer sabão

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Provavelmente o sabão de Aleppo seja a mais antiga atividade industrial contínua que se tem notícia. Há registros que no ano 700 da nossa era o sabão em barras já era fabricado em Aleppo. Depois da primeira cruzada no ano de 1096 a Europa teve conhecimento desse sabão quando do retorno dos cruzados à sua terra natal.
Os habitantes da costa mediterrânea do Oriente Médio e o norte da África aprenderam a fazer o sabão com os sírios de Aleppo. Casos de Nablus no hoje território Palestino com o sabão de Nablus, o sabão de Nasbaya da cidade de mesmo nome no Líbano.
Os árabes durante o domínio mouro da península Ibérica, levaram à Espanha e Portugal o modo de fazer o sabão de oliva. Esse conhecimento também se espalhou pela França e Itália.
No século XIV, 300 anos após as cruzadas, começou a prosperar uma rica e grande industria de sabão na cidade francesa de Marselha, e o sabão de Marselha tomou fama e correu o mundo. A cidade chegou a ter mais de uma centena de fábricas, hoje decadente, pouco resta da fase áurea do século XX.
Um destaque também é o sabão de Patounis fabricado na ilha grega de Corfu, que já tem mais de cem anos.

Todos esses sabões e saboarias utilizam, fundamentalmente, um processo comum que a industria moderna chamou de processo full boiled. O processo antigo consiste, genericamente, das seguintes fases: Empaste, Cozimento, Separação e Acabamento. A separação pode anteceder o cozimento e o acabamento pode ser opcional.
Nos tempos antigos o ofício para conduzir esse processo era responsabilidade da lendária figura do mestre saboeiro que sempre invocaram mitos, mistérios e segredos.

Apesar de existirem literatura técnica do final do século 19 e inicio do 20 sobre esse processo mais antigo de fazer sabão, curiosamente esse é quase um tabu na saboaria artesanal. Com excessão de um processo usado na Itália chamado “levato su lascívia (full boiled em inglês)” muito usado para fazer sabão de óleo usado (obrigado a Nancy Costa pela informação), é muito difícil achar alguém que faça na sua cozinha, esse processo antigo na sua íntegra com todas as fases.
Eu sempre tive interesse de algum dia poder fazer sabão com esse processo mais antigo.

Em um trabalho recente de consultoria em saboaria artesanal, surgiu a oportunidade de desenvolver esse processo. Após 30 dias de atividade intensa e muitas tentativas frustradas, finalmente consegui fazer um processo reprodutível e repetitivo, que reproduz artesanalmente, com os recursos de hoje e no tempo de processo mais curto, o método mais antigo de fazer sabão. A esse processo dei o nome de Processo Secular.

Importante salientar que o esforço para reproduzir esse processo estava focado nos aspectos de importância histórica, no resgate de um processo antigo que pudesse ser feito artesanalmente na sua casa e não na qualidade ou não qualidade do produto em sí. Decerto que os produtos que ainda hoje são feitos por este método, tem seu mérito.

Fiz três sabões com composição fiel ao trio de ouro da saboaria antiga – Aleppo, Marselha e Nablus, usando o Processo Secular. Vocês podem ver os videos de como é feito cada um desses sabões.

Clique nos links abaixo para ver os vídeos:
Processo Secular – Sabão de Aleppo

Processo Secular – Sabão de Marselha

Processo Secular – Sabão 100% Oliva

16 ideias sobre “PROCESSO SECULAR – Reproduzindo artesanalmente o mais antigo e lendário processo de fazer sabão

  1. Sr. Roberto , eu assisti seus vídeos, gostaria de expressar aqui a minha admiração por seu travalho. Os três saboes que o senhor fabricou no processo antigo tenho um sonho em fazer também. Gostaria de saber onde encontro a panela de inox com a torneira. Obrigada por suas postagens, sua vontade de passar a todos seu travalho tão maravilhoso.Que ser iluminado é o senhor!!!!!Parabéns!

  2. Boa tarde sr. Akira. Gostaria de saber a validade do sabão feito à base de óleo doméstico usado, procurei esta linformação em alguns artigos mas não encontrei.
    Obrigada

  3. Olá, aguardo pela receita completa! Muito bom. Gostaria que me tirasse uma dúvida. Ontem fiz hot process de “sabonete de castela” com um pouco de óleo de coco e aconteceu o mesmo processo do vídeo de sair um líquido branco e retirei porque achei que tinha sido aguá que tinha caido na panela. mas vendo o video vejo que foi identico. Achei que o sabonete ficou mais mole do que esperado, queria que vc me explicasse o que é esse líquido. Desde já agradeço!

  4. Olá sr Akira! Gostaria primeiramente de parabenizá-lo e agradecer por compartilhar tanto conhecimento e tantas informações de qualidade, muito obrigada! Estou encantada com seu trabalho e seu blog! Nunca fiz nenhum sabão, nem sabonete, mas estou com muita vontade de produzir para meu uso e de minhas bebês, buscando um estilo de vida mais natural. Tenho uma dúvida bem básica: é possível utilizar, ao invés do mixer de mão, um liquidificador convencional para ajudar no processo e atingir o trace? Tenho um liquidificador antigo que destinaria para isso, pois não possuo mixer de mão. Outra dúvida é: em fórmulas de sabonete que possuem açúcar como componente, em qual fase devo adicionar? Um grande abraço e muito mais sucesso para o sr!

    • Sâmara,
      É muito difícil trabalhar com liquidificador para fazer o sabão, vc não tem controle e mobilidade como com o mixer.
      O que vc poderia fazer é testar e ver se vai conseguir controlar o liquidificador.
      Açucar é dissolvido na água da soda, vai escurecer ao regir com a soda, mas nada que comprometa o cor final do sabão

      • Olá, muitíssimo obrigada pela resposta! Farei minha primeira tentativa com uma combinação de óleos mais acessíveis, que adquiri no mercado mesmo, será meu teste no cold process. Calculei na mendrulandia:
        350g oleo oliva
        100g oleo de coco da praia
        60g soda
        141g água
        Como é pouquinho vou tentar utilizar o liquidificador e volto para contar como foi.
        Abraço!

  5. Olá, gostaria de colocar uma informação aqui, como não achei lugar meu melhor, vou deixar disponível nesse post mesmo, talvez outras pessoas consigam visualizar. Fiz uma compra de óleos na GRANOILS, depois de 1 mês reclamando do não envio dos laudos técnicos, consegui o estorno da compra e a empresa disse que eu poderia descartar o produto. abri os óleos e pude conferir que são todos, sem sombra de dúvidas, falsificados. eles ainda acrescentam essências sintéticas que deixam os óleos com cheiro de chicletes. fica aí o aviso.

    • Mauro,
      Não é possível falar sobre tudo isso em um post.
      Você pode pesquisar na internet sobre a história do sabão que tem muito material disponível.

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